
Custa-lhe admitir tal postura, ser indeciso e parecer consentir tudo o que, aparentemente não o faz reagir.
O pudor que a sua fraca afirmação pessoal revela, não oculta os receios que a sua pessoa alimenta.
Tem o dom e a necessidade de escrever e construir, através das suas próprias linhas mas...
Mas a dificuldade está na resistência que encontra, é uma força que não vê mas sente o seu peso. Quando pega na pluma, começa a escrever. Para trás, deixa infinitos grupos de letras, organizados, dos quais se orgulha, a mão ganha velocidade e...
Sem saber porquê, pára!
Todos os dias são dias de recomeçar tudo. Acordar e logo de seguida tentar transformar em textos, as ideias e o bom senso, aglomerados, no passado próximo.
A sabedoria não existe, é variável e incompleta, as pessoas aprendem para recitar o livro, o parágrafo ou um simples texto, provavelmente, com a intenção de partilhar a informação que mais lhes parece correcta e aplicável, no contexto humano das associações representativas, daqueles que procuram o conhecimento...
Ao fim de tantos anos a desenvolver a suas composições livres, o escritor aperfeiçoou a sua forma, perdendo de vista, a perturbadora hesitação, que até então, achava ser uma dúvida pessoal, um lado fraco da sua vulnerável presença.
O escritor parou. Parou para reflectir, porque depois de tantas abordagens, sentiu o poder da sua escrita e a provável receptividade dos outros. Descobriu a força das palavras, que dirigira a tantos receptores.
Sentindo como um chamamento das páginas vazias, por preencher, o escritor teimoso não se cansa de tentar começar algo novo, longe de tudo o que habitualmente desenvolvera, até hoje.
Tentativa após tentativa, sente cada vez mais, uma energia que se opõem à sua vontade. Acaba de descobrir o peso da pluma.
Considerando-o um dever inquestionável da comunicação, não desiste e continua a escrever, para si... e para os outros.
Pierrot le fou
29.1.10
O PESO DA PLUMA
26.1.10
O HOMEM VOADOR

Pairava o homem por cima da Assembleia da República, quando um jovem que por ali passava, diz ao amigo:
- Estás a ver? Aquele é que é o Zé voador. Lá está ele, mais uma vez a importunar os ministros e deputados.
- Coitado!
- Coitado?
- Sim, tem o dom de voar e perde o seu tempo a voar por cima dum sítio tão triste e com tão pouca esperança.... Poderia por exemplo, andar por aí a ensinar os outros a desfrutar de tal liberdade.
- Bem visto! Se ele nos ensinasse a voar, poderíamos viajar pelo mundo e descobrir infinitas coisas interessantes.
- Iríamos à Ásia...
- Aos Estados Unidos
- África!
- Seriamos como passarinhos à solta...
- Se calhar, o homem já fez essas viagens todas.
- Achas? E viria fixar-se na Assembleia da República?
- Pois, deve haver uma razão...
- Porque não lhe perguntamos?
- É isso, pergunta tu.
O rapaz aproxima-se do homem voador e:
- O que faz o senhor aí em cima? Há tantos espaços interessantes para descobrir...
- Já os descobri todos. Diz o homem voador.
- Fartou-se de coisas boas?
- Não jovem, sabes, estou de férias.
- De férias?
- Sim, quando tiramos férias, precisamos de repouso e de prazer!
- Por cima da Assembleia da República? Não será pelo contrário, um pouco triste e cansativo?
- Não jovem, a vida não é só divertimento, por vezes temos que activar o nosso sentido de piedade e condescendência. Ao planar por aqui, vejo a capacidade da fraqueza humana, sob outro ângulo... Estas são as minhas férias!
Os dois jovens, embora conscientes das suas limitações, olharam um para o outro e afastaram-se, alegremente, simulando com os braços, o bater de asas.
Pierrot le fou
23.1.10
2.1.10
BOM ANO 2010
"A PAZ FAZ BEM À SAÚDE" (1ª parte)
(cartoon de Steve Sack)
Amadou Diallo: clique aqui
Steve Biko: clique aqui
28.12.09
OS SONHADORES
(imagem de Pierrot le fou)
Os sonhadores têm certas virtudes, podem viajar, de elemento em elemento, de sítio em sítio,... saltitar de dimensão em dimensão, no tempo, sem respeitar regras e modelos, da física imposta ou regras morais, limitadoras.
Os sonhadores têm a capacidade de tentar perceber os seus iguais, chegando a sentir pena ou mesmo piedade, quando identificam um individuo, limitado à posição de recitador ou banal representante, que fala e projecta, em nome da matéria assimilada, assumindo, inconscientemente, o papel definitivo, de influente e dependente da informação manipulada, que acabará por dirigir o seu destino e presença, na sociedade ou comunidade particular, onde desenvolve a sua incompleta presença, no "seu ciclo", limitado ao tempo e costumes na moda.
O poder que enfrentamos para projectar, construir e organizar ideias e materiais, resume-se à competição dos mercados, das políticas e culturas rivais.
Aqueles que querem sonhar e realizar alguma coisa independente e superior aos rumores, mentalidades globalizadas ou outras tendências dominantes, há muito tempo adaptaram-se ao malabarismo dos decisores monetários (que não sabem sonhar), enfrentam os defensores dos poderes, das perigosas minorias monetárias, que especulam sobre os reais valores iniciais, proporcionados pela existência.
O Artista apresenta um conceito, logo, aparecem os seres incapacitados, (incapazes de sonhar), oferecendo-se para processar a sua ideia, na fábrica, que transforma um simples abraço, em produtos de amor tecnológico, para "export", abrindo portas para o palco dos jogadores de dinheiro e políticas resultantes!
Se nos EUA, aparecesse um presidente que forçarsse os maiores de oitenta e cinco anos a trabalhar, não seria um retrocesso mas sim uma reafirmação dos ciclos de injustiça tolerados, vividos no passado, um revivalismo ou alegria para os novos economistas e accionistas do colesterol.
Com a chegada do presidente Obama, o equilibrio socio-económico demorará perto de mil anos (sem interrupções "republicanas") até alcançar um ponto parcialmente estável, levando muitos cidadãos (talvez só momentaneamente) a sonhar com um futuro melhor.
Os sonhadores estão presentes em todos os sistemas, infelizmente, cercados pelos infinitos perturbadores-inconscientes, que limitam e adiam a concretização dos projectos em curso,...
Bons sonhos...
Pierrot le fou
18.12.09
OS MINISTROS TAMBÉM PENSAM!
16.12.09
OS PODEROSOS TAMBÉM COMEM SOPA!
Faça como Berlusconi!
15.12.09
E O OSCAR VAI PARA...
(teste psicotécnico)
10.11.09
PESSOAS E DITADURAS (...)
ANO 2009 ANTES DE...

Olhando para a esquerda e para a direita, constatamos ou interpretamos o grande desperdício energético, na valsa das consequências psico-interesseiras, que os grandes grupos de marca registada, alimentam e passeiam, pelos canais da "comunicação vaidosa personalizada".
O palhaço do circo escreve às escondidas e esconde as suas verdadeiras emoções, assim como o ilusionista intervem de forma aberta, frente à inutilidade do tão pouco utilizado cerebelo dos seus receptores, banalizado pelos especialistas da pseudo-cultura proveitosa, casada com a tecnologia, financiada pela reunião dos neo-intelectuais dissipados, em programações especializadas, dirigidas aos consumidores do nada.
Irmãos e primos hierárquicos da sociedade imposta, consomem a sua escassa intelectualidade, ao interpretar as consequências, na prática que resulta de preconceitos aliados ao egoísmo de seres incrustados nas "lustrosas" associações dos poderes.
A valsa, (o três por quatro) tem os seu andamento particular, a harmonia poderá limitar-se e depender da forma musical.
Toda a execução respeita os encandeamentos que o compositor pretende realçar...
O Muro de Berlim é exemplo de injustiça social e de opressão estrutural afirmada por poderes organizados, distantes das obrigações e prioridades humanas.
Se em Portugal a PIDE oprimiu, torturou e desprezou com orgulho, o seu próprio povo, a RDA (República Democrática Alemã) seguiu (ou imitou) o comportamento do "Velhinho Estado Novo" ao adoptar uma forma opressiva semelhante.
Surgem os chibos, a instabilidade do povo cresce, os valores confundem-se,... As associações são discriminadas... Só existe um poder!
"Venham mais cinco" (José Afonso) faz sentido em Portugal ou na Alemanha,... Fascismo é fascismo!
Se as doutrinas confundem o Volk (povo), os cidadãos pelo mundo, continuam a conviver com ódios e rancores, dirigidos ao passado, que temem no presente disfarçado, que não os ilude.
Passadas as velhas ditaduras, permanece a dificuldade em interpretar a presença inividual de cada membro da suspeita sociedade global. As pessoas continuam a ser pessoas, o dinheiro é base injusta e severa para a pirâmide social, fixada pelos transcritores do direito à existência etiquetada pelos supermercados das organizações adultas convenientes.
A liberdade dos povos depende dos sistemas considerados pelos mesmos.
Os poderes existem e resultam da vontade própria, de alimentar ou destruir os valores que rodeiam o indivíduo ou sistema "projector".
VIVA A LIBERDADE!
Pierrot le fou, 2009




