20.7.09
9.7.09
Charles Baudelaire
"Les yeux des pauvres"
(Diferença e perturbações...)

Ah! vous voulez savoir pourquoi je vous hais aujourd’hui. Il vous sera sans doute moins facile de le comprendre qu’à moi de vous l’expliquer; car vous êtes, je crois, le plus bel exemple d’imperméabilité qui se puisse rencontrer.
Nous avions passé ensemble une longue journée qui m’avait paru courte. Nous nous étions bien promis que toutes nos pensées nous seraient communes à l’un et à l’autre, et que nos deux âmes désormais n’en feraient plus qu’une ; – un rêve qui n’a rien d’original, après tout, si ce n’est que, rêvé par tous les hommes, il n’a été réalisé par aucun.
Le soir, un peu fatiguée, vous voulûtes vous asseoir devant un café neuf qui formait le coin d’un boulevard neuf, encore tout plein de gravois et montrant déjà glorieusement ses splendeurs inachevées. Le café étincelait. Le gaz lui-même y déployait toute l’ardeur d’un début, et éclairait de toutes ses forces les murs aveuglants de blancheur, les nappes éblouissantes des miroirs, les ors des baguettes et des corniches, les pages aux joues rebondies traînés par les chiens en laisse, les dames riant au faucon perché sur leur poing, les nymphes et les déesses portant sur leur tête des fruits, des pâtés et du gibier, les Hébés et les Ganymèdes présentant à bras tendu la petite amphore à bavaroises ou l’obélisque bicolore des glaces panachées ; toute l’histoire et toute la mythologie mises au service de la goinfrerie.
Droit devant nous, sur la chaussée, était planté un brave homme d’une quarantaine d’années, au visage fatigué, à la barbe grisonnante, tenant d’une main un petit garçon et portant sur l’autre bras un petit être trop faible pour marcher. Il remplissait l’office de bonne et faisait prendre à ses enfants l’air du soir. Tous en guenilles. Ces trois visages étaient extraordinairement sérieux, et ces six yeux contemplaient fixement le café nouveau avec une admiration égale, mais nuancée diversement par l’âge.
Les yeux du père disaient : «Que c’est beau! que c’est beau ! on dirait que tout l’or du pauvre monde est venu se porter sur ces murs. » – Les yeux du petit garçon :«Que c’est beau! que c’est beau ! mais c’est une maison où peuvent seuls entrer les gens qui ne sont pas comme nous.» – Quant aux yeux du plus petit, ils étaient trop fascinés pour exprimer autre chose qu’une joie stupide et profonde.
Les chansonniers disent que le plaisir rend l’âme bonne et amollit le cœur. La chanson avait raison ce soir-là, relativement à moi. Non-seulement j’étais attendri par cette famille d’yeux, mais je me sentais un peu honteux de nos verres et de nos carafes, plus grands que notre soif. Je tournais mes regards vers les vôtres, cher amour, pour y lire ma pensée; je plongeais dans vos yeux si beaux et si bizarrement doux, dans vos yeux verts, habités par le Caprice et inspirés par la Lune, quand vous me dites : «Ces gens-là me sont insupportables avec leurs yeux ouverts comme des portes cochères! Ne pourriez-vous pas prier le maître du café de les éloigner d’ici ?»
Tant il est difficile de s’entendre, mon cher ange, et tant la pensée est incommunicable, même entre gens qui s’aiment !
Charles Baudelaire
2.7.09
Demissão de Manuel Pinho ou remodelação do Governo "out of phase"?
(Mentir ao povo sim, pobreza sim,... Gestos na Assembleia não!!)

"Porque choras tu menino?"
-Aquelele menino fez-me uma careta. Buáááááááááááááááááá...
- Pensei que fosse por causa do Estado da Nação...
O jovem ganha um ar sério e pergunta.
- Nação? Qual Nação?
- Esta onde nos encontramos, o nosso país... Não sabias que na Assembleia da República, foi dia para debater o Estado da Nação?
- O que é isso?
- Seria demasiado complicado explicar-te...
- Explique lá!
- Está bem, vou tentar. Sabes o que são políticos?
- Sim, são aqueles que o meu pai costuma chamar de inúteis e de ladrões...
- São pessoas eleitas pelo povo... hum hum... quando vota! Depois, essas mesmas pessoas, falam entre elas e tentam criar leis e projectos para melhorar o país.
- Quem? Os tais inúteis?
- Sim.
- Hoje, o meu pai tinha a televisão ligada e disse que um desses senhores eleitos, fez um gesto muito feio!
- O gesto não foi assim tão feio, até teria certa piada...
- Mas não se deve fazer gestos feios?
- Na Assembleia?... É melhor não... Por lá, tudo é permitido. Todos podem faltar, mentir, falar sem dizer nada, divergir só para divergir, acusar os outros, ser arrogante, ignorar os outros... até fazer caretas!
- Gestos feios é que não?
- Gestos feios é que não!... Dizem que ofende...
No festival de estranhas intervenções a que pudemos assistir hoje, na Assembleia da República Portuguesa, tivemos direito a mentiras (faz parte), um Presidente zangado, interpelações "substantivas", deputados ofendidos e até uma demissão.
As intervenções sérias dos vários deputados que abordaram assuntos prioritários perderam interesse... os senhores do jornalismo que o digam!
...Bravo! Este é o estado da nossa Nação!
Com respeito por todos os deputados da Assembleia da República Portuguesa e Governos remodelados,
Pierrot le fou
22.6.09
A Ignorância e a Cidade dos Sagrados Membros do Neologismo
(original Pierrot le fou)

A noite era bem escura, a Ignorância deambulava sozinha pela isolada Cidade dos Sagrados Membros do Neologismo, conhecidos pelos seus actos intelectuais revolucionários, tão temidos pelos conservadores da escrita antiga.
A pouca luz dos candeeiros tornava clara, a decadência das ruas dos abandonados bairros ocupados por resistentes de várias tendências e expressões literárias, que ali encontravam serenidade e isolamento necessário para desenvolver as suas teses, como se o lado físico da existência, nada significasse.
Os sábios da reconhecida comunidade, tinham aplicado um método que consistia na inter-valorização dos presentes, organizando encontros diários, onde todos os participantes apresentavam as suas ideias e reflectiam sobre as projecções dos colegas intervenientes.
Na mesma noite, a Ignorância passava em frente a uma casa, quando ouve uma voz perguntar:
"Que fazes tu por aqui?"
- Venho falar com o teu chefe.
- Aqui não há chefes! Somos todos iguais, reunimo-nos para decidir qual a função mais adequada para cada um dos membros da nossa comunidade.
- Seja... Venho mandatado pela Alta Comissão para a Estabilidade e Direitos da Comunicação Interna.
- O que nos querem esses encéfalos congelados?
- A vossa proposta foi avaliada e rejeitada.
- Outra vez? Não aceitam nem uma! E os cobardes enviam um Zé qualquer para nos anunciar as suas decisões... Qual é a sua posição lá na Comissão?
- Eu? Eu sou a Ignorância.
- Não me admira!
- Ai sim? Porquê?
- A resposta tem nome e encontra-se aqui na cidade, bem longe dos sentados que votam presente, para vetar a evolução! Se desejar aprender alguma coisa ou esclarecer as suas dúvidas, terá de forma definitiva, que atravessar a fronteira que separa o mundo do comodismo dos tecnocratas, do cenário dos infinitos actos benevolentes e construções por aplaudir!
- Sabe que não pertenço a esse meio...
- Como desejar... Já agora, poderia levar mais uma proposta, lá para a Alta Comissão?
- Qual é a palavra?
- "Politocrata"... Um adjectivo..."
E assim, demoraria mais algum tempo, a viagem de ida e volta de mais uma palavra que, depois de uma habitual, negativa e automatizada decisão dos poderosos senhores da Alta Comissão para a Estabilidade e Direitos da Comunicação Interna, viria juntar-se aos sonhadores da Cidade dos Sagrados Membros do Neologismo, adiando-se mais uma vez, a eminente Revolução das Letras.
Pierrot le fou
19.6.09
A Ervilha
(Alfadiálogo)
Aferição? Toma lá aflição!

"O senhor tem alguma coisa a acrescentar ao seu depoimento?"
A - Não!
B - Declaro encerrado o leilão!
C - A defesa submete-se e apoiará qualquer decisão!
D - Próximos!
E - Aqui estamos...
F - Apresentem-se.
G - Somos nós.
H - Muito bem. Porque roubaram os senhores, a ervilha que sobrou do jantar do senhor Z?
I - Estávamos todos famintos...
J - Os senhores reconhecem o crime?!
K- Sim, senhor Doutor Juiz, Vossa Eminência, Deus nosso Senhor, sua Importância... Pai... Papá (choramingava K)
L - Tem horas?
M - Porque pergunta?
N - Por questões de dinheiro.
O - Dinheiro?
P - Tempo!... Tempo é dinheiro.
Q - Ah, até que enfim!
R - O quê?
S - Até que enfim, que encontro uma pessoa que respeita a grande teoria de Darwin!
T - Não percebo...
U - O senhor não contraria as sugestões ou propostas deliberadas, que os nossos parecidos tentaram projectar, na ciência fundida.
V - Que confusão na sua linguagem!
W - Acha?
X - Já não percebo nada, sinto que preciso de estudar mais!
Y - O senhor acaba de despir a sua consciência... Que bela mulher!
Z - Com intenção de ser bom talvez mas... sou tão pudico... Só não admito que me roubem!... Nada, nem uma ervilha!!!
Na encruzilhada dos valores voláteis apresentados pelos futuristas e conservadores do velhinho dinheiro, o poder dos filósofos e cientistas embebedados, tem uma notável fatia de responsabilidade nos resultados da grande Academia dos Templários do Ultrapassado Método de Ensino Politizado, distante das prováveis sociedades futuras!
Perceberam alguma coisa?...
Pierrot le fou
17.6.09
12.6.09
Direitos do Homem?... No futebol!

"Por quanto vendeste o Ronaldo?
- 93 milhões de Euros.
- Só?...
- O que querias? É a recessão!
- A vida é ingrata!
- A culpa é do povo!
- Temos que criar um sindicato!
- Um partido político!"
Um parido polít... Porque não alterar os artigos 1º, 2º e 3º, da Declaração Universal dos Direitos do Homem?
ARTIGO 1.º (segundo os rapazes do futebol)
Todos os seres humanos nascem obrigados e iguais em dignidade e em direitos, no futebol. Dotados de razão e de consciência no futebol, devem agir uns para com os outros em espírito de futebol.
ARTIGO 2.º (segundo os rapazes do futebol)
Todos os seres humanos do futebol podem invocar os direitos e as liberdades proclamados na presente Declaração, sem distinção alguma, nomeadamente de raça, de cor, de sexo, de língua, de religião, de opinião política ou outra, de origem nacional ou social, de fortuna, de nascimento ou de qualquer outra situação, no futebol.
Além disso, não será feita nenhuma distinção fundada no estatuto político, jurídico ou internacional do país ou do território da naturalidade da pessoa, seja esse país ou território independente, sob tutela, autónomo ou sujeito a alguma limitação de soberania, no futebol.
ARTIGO 3.º (segundo os rapazes do futebol)
Todo o indivíduo tem direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal, no futebol.
Parabéns ao Senhor Doutor Futebol (e atletas comercializáveis com saúde,... na moda).
Pierrot le fou
10.6.09
Descubra a difrença...
(só para adultos portugueses...recenseados)
Governar...
Teatro e poesia? Evoquem os verdadeiros!
(prejuízo para os acomodados interesseiros!)
8.6.09
Resultados Eleições Europeias 2009
(Percentagens? Vence a abstenção!)
36.48% dos portugueses (recenseados...) deslocaram-se às urnas para exercer o seu momentâneo (ou curto) e penoso direito cívico, que é colocar um papel dobrado, numa caixa, em cima de uma mesa.
Aqueles que parecem não se preocupar com o rumo de Portugal, mais uma vez venceram, desta vez, com os gloriosos 63.52%.
Define-se assim, a presença portuguesa... em Portugal!
Siga a seta...
O ORGULHO DOS PORTUGUESES:
OS RESULTADOS DOS PORTUGUESES:
Considerando os 36.48% de portugueses que elegeram os eurodeputados portugueses...
REALIDADE E ORGULHO DOS PORTUGUESES:
Deverá o INE (ou um seu estatístico familiar), desenvolver um estudo sobre a relação entre os 63.52% e o comportamento dos rivais e afirmados deputados das Assembleias dos Cafés e esplanadas por Portugal?
Pierrot le fou (horas depois de colocar o papel na caixa em cima da mesa)
7.6.09
Votar para pouco ou nada mudar...
Reciclagem da Limitada Liberdade
(Eleições Europeias 2009)
Votar é uma liberdade.
O dia seguinte é o início da habitual ansiosa contagem decrescente, para a próxima votação.
desejo a todos, um excelente momento de votação...
Pierrot le fou






