
Volto quando sincronizar com a caneta ou o QWERTY...
Política e tendências económicas (como a recessão), são interesses ou modas que não sigo (ou pratico) mas invadem e perturbam a minha privacidade e criatividade.
Abraço e até breve,
(Entretanto, espreite aqui)
Pierrot le fou (abstracto...)
5.3.09
ESTOU A PENSAR...
18.2.09
Acordo Ortográfico?
Quem consultou os portugueses?

Brevemente, Egípto passará a escrever-se "Egíto"!!!
Então vamos lá tentar perceber. Os egípcios são os...
Egip... O que faz aqui o "p"?
...Aquele que nasce no Egíto (sem "p") é egípcio (com "p"?!!).
Já me "confundiram"!
Deixa-lá ver se percebi:
Eu nasci em Portugal, por isso sou potuguês (sem "r", porque não?).
Quem poderá contestar isto?
Quem decidiu avançar com este vergonhoso acordo?
Serão pessoas, mentalidades ou doenças que decidem?
Vergonhoso e com ar de política, este acordo vibra por simpatia com ridículas iniciativas dos recentes governos que vão conseguindo distrair o povo, definindo mais uma vez, as posições dos "POÍTICOS POTUGUESES" (menos um "L" e um "R") que têm dirigido o nosso país, como no ballet dos criminosos desajeitados, com sede de imoralidade e suja vaidade que mancha todo o já desprezado espectro da imagem interna afixada, no painel da nossa estagnada cultura.
Pierrot le fou (em aCCCCCCção!)
9.2.09
BAUDELAIRE
"O ESPELHO"

Le Miroir
Un homme épouvantable entre et se regarde dans la glace.
"- Pourquoi vous regardez-vous au miroir, puisque vous ne pouvez vous y voir qu'avec déplaisir?" L'homme épouvantable me répond: "- Monsieur, d'après les immortels principes de 89, tous les hommes sont égaux en droits; donc je possède le droit de me mirer; avec plaisir ou déplaisir, cela ne regarde que ma conscience."
Au nom du bon sens, j'avais sans doute raison; mais, au point de vue de la loi, il n'avait pas tort.
Charles Baudelaire
8.2.09
FUTEBOL CLUBE DO PORTO - BENFICA
PREVISÕES PARA O JOGO DE DOMINGO 8 DE FEVEREIRO DE 2009
(corriga este texto)

O árbitro irá apitar, os jogadores irão correr dum lado para o outro, o público assistirá...
O jogo terminará, o vencedor terá vencido, o perdedor terá sido derrotado, os canais televisivos terão massa para esticar, os portugueses... continuarão a ser portugueses.
Os jornais serão vendidos, o dinheiro continuará escondido em offshores e os burros irão trabalhar em nome da produtividade e do capital suplementar, destinado aos caprichosos meninos das acções empilhadas no aramazém dos 1001 ladrões vulneráveis.
Segunda-feira começará logo a seguir a domingo e os partidos políticos continuarão a sua luta pelos direitos dos políticos.
O Manuel alegre continuará a sonhar com uma esquerda no seu partido, que bem sabe ser de direita... Movimento de Intervenção e Cidadania...
"Se penso azul, o que faço eu no meio dos amarelos às bolinhas verdes?"
---------------------------------------
O Paulo Portas continua a ir para as feiras com o discurso de protector ou de Santo Padroeiro...
Anda no meio dos agricultores a fazer o quê? Irá o prof do Jaguar, prometer submarinos às pessoas que trabalham a terra?
Tem tudo a ver com a sua condição e dedicação, no percurso até hoje, por nós constatado!
---------------------------------------
O (nosso....) Primeiro-Ministro, fala em nome duma esquerda progressista... só se estiver a falar da mão esquerda dele!
O Presidente da República está no lugar certo para cantar, cantar... e cantar... e cantar... e... um veto aqui, uma promulgação ali e... e cantar.
Todos os nomes e títulos-adjectivos, acima referidos, não existem, não passam por isso de palavras imaginadas pelos leitores-interpretadores, do curto texto dedicado ao jogo de futebol entre duas equipas que sofrem e lutam com grande esforço, em nome da evolução dos direitos do povo português.
Pierrot le fou (de penalty)
30.1.09
O HOMEM QUE NÃO SABIA
(Conto original, rotlefou.blogspot.com)

Numa manhã, um jovem dirigia-se à escola, quando num largo, ouve um homem sentado na calçada, dizer repetidas vezes:
"eu não sei, eu não sei,..."
O jovem prossegue a sua marcha, quando ouve:
"E tu, sabes?"
Pára, vira-se e:
"É comigo?" Pergunta o jovem.
"Sim, vês mais alguém?!" diz o homem.
-Eu não...
- Então porque não respondes logo?
- Qual era a pergunta?
- Perguntei-te se sabias.
- Se sabia?.... Se sabia o quê?
- Lá está! Isto é que é a juventude de hoje! Andam por aí todos pimpões com a tecnologia no bolso, trocam a chupeta pelo cigarro, Camões, para vocês é um primo afastado do Magalhães e os mais velhos são todos uns burros ultrapassados, mal vestidos, que não conhecem nada da industria musical que os pirralhos das modernices, mastigam com hamburgers cozinhados no capitalismo globalizado à força, pelos imperialistas do dinheiro.
- Isso é uma pergunta?
- Ainda por cima arrogantes!
- Quem eu?
- Não, o Descartes!
- Quem?
- Sabes jovem, vou dizer-te uma coisa, coisa esta, que nunca deverás esquecer
- Diga então, senhor,... senhor...
- Podes chamar-me Homem Sentado
- Homem sentado... É o seu nome?...
- Não, não vês que estou sentado?
- S... sim.
- Dizia eu que... o que estava eu a dizer?
- O senhor Sentado falava de... de cartas?
- Não,... ah, já sei, sabes, a grandeza do homem, não se define pela sua postura na sociedade... para melhor perceberes, imagina o teu pai... O que faz o teu pai?
- O meu pai? É engenheiro electrotécnico.
- Boa, aqui está um bom exemplo. O teu pai, todos os dias depois de acordar, toma um duche e barbeia-se.... e barbeia-se!
- Hã... ah, sim, sim
- Sabes por que raio faz ele isso todos os dias?
- Para não ter barba?...sei lá!
- É como tu dizes, para não ter barba ou por questões de higiene mas antes de tudo, fá-lo porque a concorrência é vasta e um pelo a mais no rosto, é critério sólido para o despedimento, se nos interesses daqueles que o rodeiam, alguém decidir tratar-lhe da saúde, seja por que razão for... Quer isto dizer que, o teu pai pode ter uma posição digna e estável mas a qualquer momento, pode passar a inscrito... Percebeste?
- Inscrito?
- No desemprego.
- O que tem isto tudo a ver com grandeza?
- Também tu,... se jogasses menos Playstation e lesses um pouco mais!... Estou aqui sentado, farto de falar do teu progenitor...
- Pro... quê?
- Se fosse teu professor,....
- Seria avaliado?
- Bem! Vamos lá ver se não nos desviamos do assunto principal...
- Qual assunto principal?
- Olha-me para este jovem de crânio desidratado...
- Eu?
- Não o...
- Sim, já sei! o das cartas.
- Descartes... Descartes! Já alguma vez estudaste filosofia ou matemática?
- Já!
- Quantas vezes, quando?
- Sempre que não encontro um homem sentado no meio dum largo, a atrasar-me no meu percurso para a escola... já vou ouvi-las!!
- Espera!... Tu estavas a caminho da escola?
- Pois.
- Em que ano estudas tu, jovem?
- No oitavo.
- O que queres ser quando fores grande?
- Olha olha, já pareces mas é a minha tia!
- Vamos lá manter o nível de comunicação! E o respeito?...
- Olhe gostaria muito de continuar no interrogatório mas tenho uma aula que começa... há um quarto de hora atrás.
- "Jovem", diz o homem sentado ao rapaz que já se afastava.
- Diga lá rápido!
- Gostas de aprender?
- Sim homem sentado. E o senhor, gosta?
- Eu?... Não sei, não sei. Respondeu o homem vendo o jovem a desaparecer ao longe no largo.
O homem ficou ali sentado, calado, sem pessoas para abordar.
O homem sabe e fala,
Pergunta e afirma,
Os jovens vão sabendo e falando,
Questionam-se e vão aprendendo.
Na imagem que revela o homem,
O espírito jovem, por vezes cala-se.
O jovem quer falar como um homem...
Aprende, quem tem consciência da sua condição.
Terá o homem sentado, conhecimento disso?
E... terá o jovem, aprendido alguma coisa?
Pierrot le fou
28.1.09
CONTOS PROIBIDOS de Rui Mateus
(um livro inconveniente, arriscado ou demasiado parcial na abordagem?)

...A propósito de um dos recentes Presidentes da República Portuguesa, deixo aqui um link para o livro "Contos Proibidos", que descobri por aí...
Clique então, aqui
Pierrot le fou
7.1.09
Divagação...
(interpretação ridicula mas sincera...)

(para ler num domingo chuvoso, de preferência, em estado de ressaca.
Experimente misturar Whisky com Vodka, cerveja e Martini com um pouco de Tequila e vinho verde e beba em doses exageradas)
...Não se esqueça, se for conduzir o país, não beba com moderação...
Álcool? decretos-Lei, aqui
Sou um português desesperado (eu não, ele...),
Sofro por falta de dignidade,
Choro por causa de problemas de dinheiro,
Pensar na minha reforma, leva-me a não dormir,
A palavra "jornalismo" faz-me sentir mal,
Nem posso ouvir o adjectivo!
Por vezes, sou obrigado a fazer coisas boas,
Já recebo três reformas mensais, que vergonhosamente
nem tão pouco equivalem a vinte e cinco salários mínimos!
Toda esta desigualdade causa-me dor,
Esforçei-me para aqui chegar,
Por isso, exijo que me respeitem,
Faço a aprovo as leis em meu favor,
Quase que choro a rir mas tenho de fazê-lo escondido,
Sinto-me bem,
Afinal sou deputado ou ministro!
Quatro anos de teatro deram-me direito a uma boa reforma (até mesmo às reformas dos outros).
Os cidadãos têm contribuido para a minha riqueza,
Têm mesmo assim, que se esforçar mais ao fazê-lo!
Eles que chorem,
Os outros (os cidadãos) que façam como eu!
Sejam todos deputados ou ministros,
Ou então, continuem a trabalhar,
A gerar riqueza para os que já são ricos!
(Acaba aqui a divagação, as reformas dos meninos da Assembleia continuam a sair!)
Pierrot le fou
Comentários e queixinhas
5.1.09
PALESTINA, O QUE TE FIZERAM?
Um ângulo, um olhar...

Na madrugada de segunda-feira 5 de Janeiro 2009, enquanto a SIC NOTÍCIAS abria o noticiário com os resultados dos jogos da liga portuguesa (mais uma tradição que se integra perfeitamente na nossa comodidade e sede constante de distracção e lazer, que caracterizam o bom português preocupado com o lado humano da bola que gira e do árbitro que penaliza os guerreiros da cultura de sofá!), o conflito em Gaza era atentamente seguido pelo canal Al Jazeera e outras estações pelo mundo...
Guerra religiosa, segundo holocausto ou reversão na afirmação da identidade cultural de dois povos condenados a viver mal, não por culpa das pessoas de bom senso que figuram nos "dois lados", onde imoralidade e violência exercida os fazem sentir-se impotentes na sua intelectualidade e amor pelos vizinhos irmãos.
Para nós da "Nova Europa", é-nos fácil constatar irreverência e distância, nas relações entre Estados da Comunidade, que nunca provaram até hoje, querer definir uma posição consensual de peso, na consideração exigida para enfrentar um assunto que afinal parece não ser de interesse prioritário, já que por parte da "arrasada" Palestina, não se esperam grandes negócios de proveito para a mentalidade monetária que representa o grande objectivo europeu.
Conhecendo através do bom jornalismo, que nos tem levado a conhecer a "verdadeira-realidade" da famosa Terra Santa, as pressões diplomáticas, consequentes bloqueios, destruição de bens necessários para sobrevivência, entre decisões e atitudes que ignoram até uma criança a nascer, podemos sentir o peso da matéria manipulada que se infiltra nos média, como se de censura se tratasse.
A verdade é só uma, na Palestina, todos sabemos bem que os intelectuais sempre foram alvo de perseguições severas por parte de Israel (Mahmoud Darwich, clique aqui), que os levaram a exilarem-se, em paises como Egipto ou até mesmo em vários países na Europa, parecendo querer pôr de parte, qualquer diálogo civilizado, que poderia melhorar uma situação já
por muitos muitos considerada banal!
A importância dos homens de letras e de boa fé é assim posta de parte, dando lugar aos grandes contratos com os Estados Unidos, fonte de toda a espécie de armas para a manutenção da instabilidade no lado muçulmano, que ao ver-se encurralado e sem voz, na sua própria terra, acabou por adoptar uma postura de revolta contra uma posição imposta, que até os maiores sábios não conseguem compreender.
Se não fosse do interesse dos grandes poderes ocultos, a preservação de conflito no Médio-Oriente, Israel o poder, Israel a terra que também tem crianças, que também tem poetas, intelectuais de bom senso, poderia associar-se aos seus congéneres do "lado-oposto", e criar estruturas para de forma digna, avançar para o novo dia,...o Grande Dia que daria nova luz e amizade entre dois povos, que afinal já merecem muito mais que a situação que estão a viver desde há mais de quarenta anos (já para não falar do início do século XX...).
Enfim, uma visão por mim aqui transcrita que refere acontecimentos mas, antes de tudo, revela vontade única, de ver o problema dos povos de Israel e da Palestina resolvido, assim como o fim de actos de maldade que persistem em tantos outros países no Mundo!
Deixo mais abaixo, um link para lerem (em francês) o poema "Petite écolière palestinienne", que Mostafa HOUMIR, um homem marroquino partilha no site : Poetas Del Mundo.
Leia aqui
Pierrot le fou
29.12.08
Bom Ano 2009
(Na imagem abaixo, não é "O Evangelho segundo Jesus Cristo" mas sim "2009 segundo os nossos governantes"...)

Para os mais de trezentos dias de crise, pelos péssimos governantes do Mundo imposta, desejo a todos um Feliz e Harmonioso 2009.
A todos, muito cuidado com o alcool e que os vossos veículos sejam por vós melhor conduzidos, que o país tem sido pelos incompetentes assumidos, que sobraram para nós de Portugal.
Pierrot le fou (última publicação 2008)
20.12.08
FELIZ NATAL 2008
(escrita simples)

É altura de amizade, compaixão, convívio, preparativos, cheiro a bolos e tantas outras boas coisas.
Na nossa cultura e tradições sensíveis, ainda temos direito a estes momentos de celebração, onde festas e presentes são parte da alegria que muitos anseiam na contagem decrescente para o grande momento que por nossa determinação, só poderá acontecer na condição de não durar mais de 24 horas.
Para que a festa não acabe logo, todos os anos temos mais uma semana que alarga o período de festas até à véspera de passagem de ano.
O dia 1 de Janeiro aproxima-se mais daquilo a que muitos já estão habituados, depois de um bom sábado à noite a beber uns copos valentes.
Passados estes dias de rara sensibilidade por tantos de nós praticada, há que voltar ao "estado normal".
Na metamorfose social ou retrocesso evolutivo (porque não retrocesso na evolução?), estado normal será por exemplo, voltar a pensar nas dívidas, nos salários injustos, na famosa crise que dá tanto jeito a tantas falsas vítimas deste recém acontecimento que parece ter sido combinado entre governos, poderes económicos, primos e afilhados.
No dia de Natal, tudo tem que correr bem, muita comida, muitas prendas,...
Na era do dinheiro, em que só o dinheiro (o próprio) parece poder determinar a existência humana, alguma coisa estranha está a conseguir, de forma progressiva, alterar toda a essência da celebração em si, tornando-se importante, comprar, comprar e comprar.
Sem perseguição alguma aos comerciantes, que não fazem nada mais que o seu trabalho, deixo aqui uma "Reclamação Universal" ao exagero de publicidade que nos invade através de todos os meios possíveis, incitando cidadãos com a vida a crédito, a somarem ainda mais despesas.
Olhando para a competitividade das empresas, há instantes em que até quase percebo esta irreverência ou atitude exagerada, face aos potenciais clientes, sinto por isso uma grande tristeza, ao não encontrar a mesma dinâmica nas promoções do nosso governo e nas suas habituais práticas de aumentar os produtos invisíveis que todos nós pagamos ao preço que a oculta publicidade das instituições nos impõe!
Passamos assim a um fenómeno de triangulação (ou de tripla confusão), em que o Pai Natal, Jesus Cristo (a verdadeira origem do Natal...) e Cartão de Crédito continuam a deixar liberdade para cada um decidir, viver ou interpretar como quiser, o verdadeiro Natal, dependendo ainda do jogo legislativo que estiver na moda.
Haja boa disposição e
Feliz Natal 2008,
Pierrot le fou
Mais um texto de Natal
(Escrita a sério, clique aqui)
19.11.08
POR FALAR EM CIMEIRAS...
G20, G19, G18, G17,...

Cimeiras ou festas, estes meetings reservados a talentos na modalidade "Fui eu que fiz porcaria mas continuo cheio de dinheiro e isso faz-me rir...que se lixem os outros", são breves instantes que reunem os imbecis que deformam toda a função ou organização civilizacional em vias de continuar a contribuir para preservação destas estranhas espécies viciadas em dinheiro e poder.
Na farsa dos governos que mais devemos interpretar como grupos de frustrados com especial fixação na injustiça e imcompetência que tanto gostam de praticar e exibir nos exemplos que nos apresentam através das políticas de consenso global (capitalismo, recessão oportuna, crises com hora e jantar marcados... Os americanos até andam a ler Marx, ao que parece, “O Capital” está a sair como pãezinhos quentes...), estes Homo Sapiens acabam por ter direito a estas fotografias simbólicas e robustas, no sentido de demarcar a sua glória e “altura” assim como aquela estátua do Sadam que vimos ser destruida, passadas algumas horas da invasão americana no Iraque.
Força para estes rapazes tão vaidosos!
Vamos ao dinheiro!
Quem falou em Adão...e Eva?!....
Deus fez o Capitalismo e a moeda criou o homem à sua imagem...
Por falar nisso, se evocam o capitalismo em nome de todos,.. Aonde é que está a minha moeda?!!
Pierrot le fou
7.11.08
FICCÇÃO HUMANA
ESTROMBELO E O UNIVERSO
A história que se segue, conta-nos a estranha aventura de Estrombelo.
Começa assim, Estrombelo acorda num barco em cima do telhado duma casa, sítio onde se encontrava já há alguns dias.
Naquela manhã ventosa de céu cinzento, Estrombelo, após tanto tempo no poleiro, era um homem desesperado, farto de estar num sítio de onde não conseguia sair.
Depois de dias, horas, a repetir a mesma frase infinitas vezes, olha em sua volta e pergunta mais uma vez:
"Está aí alguém, estou sozinho?" O silêncio era tal, que:
"Já percebi, não vejo ninguém, as ruas estão desertas... Não há aqui pessoas para além de mim...sou um homem isolado de tudo!"
"O que terá acontecido? Que situação estranha, esta de me encontrar num barco em cima duma casa!" Ainda ensonado, olha aqui e ali e... repara num panfleto que o vento trouxe para junto da popa do barco, agarra-o e lê: "Desconto de trinta porcento sobre todos os artigos".
Fica a pensar e em voz alta diz: "Mas para que me serve um desconto de trinta porcento, se não há nada para comprar?
"Quem tem a coragem de me enviar um papel com tal inscrição sabendo que estou aqui completamente sozinho?!" Pergunta Estrombelo zangado.
"Se for uma brincadeira, aviso-os desde já, que sou um homem sério e que nunca ninguém me conseguiu fazer rir!"
"Eu não digo...estou mesmo a ficar louco... Sei perfeitamente que estou aqui sozinho e ainda me ponho a fazer figuras...se passa por aí alguém, o que irá dizer de mim?" Estrombelo atravessava um momento de breve divagação.
Confuso, pergunta-se:
"Agora é que estou a ver bem" diz, "Então não é que dormi num barco que está em cima do telhado desta casa! A situação absurda, não lhe parecia ser apior de todas, já que considerava mesmo assim que, pior era se tivesse dormido numa avioneta no cimo dum arranha-céus...
"Será que bebi vinho estragado, ou já morri e estou no inferno?"
A estranha situação em que se encontrava, fá-lo disparatar:
"Nada como sozinho,
num barco acordar,
no cimo duma casa
onde o raio do barco veio parar" Cantarolou.
Construindo assim pequenas quadras com a inspiração "que lhe veio à mão", canta:
"Ao viver aqui tão só,
acabei por ouvir uma voz,
do vizinho não pode ser,
será dos meus avós..."
Até que:
"Não pode ser", diz Estrombelo em tom de desespero, "Eu não mereço isto, detesto a solidão, detesto barcos em cima de casas!"
"Como é que isto aconteceu, como pude eu acabar isolado de tudo o que pode ser bom, aonde estão os outros,...é uma partida?"
A consciência de Estrombelo estava no melhor do seu funcionamento, inibindo o raciocínio.
"Já sei, estou a pagar pelos erros que cometi quando era vivo!"
"E quem me diz que estou morto? Estou a sentir o vento a passar por mim, até já senti arrepios, com esta confusão toda, até me está a doer a cabeça".
Será que depois do nosso tempo de vida, vamos para um sítio onde ainda somos recompensados com dores de cabeça? Isto não é justo, trabalhei mais de quarenta anos que nem um escravo, para, afinal receber uma tremenda dor de cabeça como prémio, pela servidão?!"
"Mantenho que isto não é justo, ainda por cima, não tenho ninguém para culpabilizar... Espertos! Malandros! Venham cá acima ao barco, que já lhes digo!"
A triste figura de Estrombelo num barco em cima dum telhado é flagrante.
"Esta casa é tão alta, como vou eu fazer para sair daqui? Não há escadas, o vento está cada vez mais forte e o barco está a abanar. Preciso de encontrar uma solução rápida, antes que isto caia lá em baixo!"
Numa tentativa frustrada, grita:
"Socorro, ajudem-me, estou cá em cima... Aqui...aqui em cima no barco que está em cima da casa!"
O tempo foi passando e, farto de gritar, cala-se, pensa e:
"Será que a maré vai subir e tirar o barco daqui? Se assim for, é uma questão de paciência,....Mas eu não sou nada paciente!"
Já desolado, Estrombelo ao virar o olhar, vê o que parece ser um monte de papéis debaixo do banco do barco em equilibrio, debruça-se com cuidado para não cair, estica o braço e consegue agarrar um Jornal.
"Um jornal!" diz em tom alegre, "Até que enfim que aparece qualquer coisa interessante, é a minha salvação, vou finalmente ficar a saber porque ficou isto tudo tão deserto e sem uma única pessoa com quem conversar".
Ansioso por descobrir alguma informação que o ajudasse a melhor entender o porquê de tal situação, olha para a primeira página e na data lê: "Segunda-feira 1 de Agosto de 10 000"...
"Dez mil?... Dez mil?! Qual dez mil, mas que jornal é este, com o ano dez mil... Eu nasci em 1935 e estou vivo no ano dez mil? Deve ter sido erro de impressão... ou estarei a ver mal?"
O coitado sente o cérebro a dar uma cambalhota.
"Deixa-me lá ver,... Ah, uma notícia interessante; "Povo concede direito de actuação ao Primeiro-Ministro, para criar fundo para castigo a ex-governantes e colaboradores directa ou indirectamente culpados de usurpação da democracia".
"E esta: procura-se cidadão com ou sem estudos, com determinação para exercer funções de Secretário Mundial para a igualdade humana no Planeta Terra...coisa estranha!".
Ainda outra: "Crónicas do passado, esta semana, dossier sobre o dinheiro os seres primitivos que praticavam a desigualdade através do materialismo e capitalismo selvagem, até ao Século XXIX".
"Epá", diz Estrombelo esta notícia é alarmante, lê então: "Segundo cientistas do Observatório Mundial para desenvolvimento, protecção e manutenção da espécie humana, no mês de Setembro do ano 10 000, a Terra sofrerá o impacto dum cometa, levando a destruição quase total do Planeta, sendo a possibilidade de sobrevivência da espécie humana, de um para dez mil milhões...."
Estrombelo parou novamente para pensar e por fim diz:
"E eu aqui num barco em cima duma casa..."
Mas alguma coisa muda e de um instante para o outro, Estrombelo mais positivo diz:
"Será possível? Eu não acredito em nada dessas coisas mas só me posso render às evidências.
Terei eu viajado no tempo para descobrir que no ano 10 000, um cometa vai embater na terra, como foi isto acontecer?
Ou Terei sido eleito pelo destino, para ser Secretário Mundial com determinação, no sentido de criar igualdade humana só para mim, já que sou provavelmente a única pessoa por cá?
Certo mesmo é que, continuo aqui num barco em cima duma casa e não vejo gota de água, quanto mais marés que me tirem daqui..."
Nas perguntas e afirmações, por Estrombelo projectadas, elementos, como o tempo, conhecimento e conceito de sociedade eram parte de algo complexo que claramente confundia este desprotegido ser na sua limitada interpetação, da vida.
Destinado a esperar pela resolução do seu enigma, todos os fenómenos, por muito anti-naturais que possam parecer, talvez um dia levarão Estrombelo a encontrar a solução exacta da grande escrita que determina toda a função da nossa existência, considerando-a como parte finita da vasta, interminável e magnifica construção organizada, que representa o Universo.
Estrombelo ficou ali a pensar e a pensar, e a pensar... até que:
(Acaba assim)
Estrombelo canta:
"viajei de trinta e cinco
Até ao ano dez mil
Estou no cimo da casa
entre nós há um barco..."
(Não rima mas foi assim que cantou!)
Pierrot le fou
