25.5.12

A LOUCA EXISTÊNCIA DE ABRISÍDIO (1º episódio)

Sem introdução, deixo-vos com Abrisídio. começa já:



Porra Pá! Aonde é que está a porcaria do abre-latas? Todas as marcas vendem latas com abertura fácil e com a porcaria da pressa, fui logo pegar numa lata do século passado!
É o que dá! Sou uma vítima da pressão social e da violência política mercantilista que excita os legisladores acimentados pela sua inabilidade!
Eu já sabia! Tinha logo que encontrar o Astrômbio… Está bem, o Astrômbio sempre foi o meu melhor amigo e quando precisei de ajuda, nunca falhou e até já me salvou a vida. Mas eu tenho pouco tempo para almoçar e não há espaço para conversas. Eu não posso chegar atrasado. Com a lei laboral que os sentados cozinharam, ainda me fazem um O Soto Gari e vou para o desemprego com direito a uma lata de ervilhas diária numa casota, fora da cidade.
Eu preciso é de repensar a minha vida. Em vez de depender de patrões e de chefes à americana, vou mas é criar a minha própria empresa!
Há tantas coisas por fazer… Olha! E se fizesse uma empresa que reparasse os passeios da cidade? Grande ideia! É isso mesmo. A maioria das pessoas queixa-se de problemas nos joelhos. E porque é que se queixam de problemas nos joelhos?
Será porque os passeios estão todos tortos e que de manhã, quando vão comprar pão à padaria da esquina, cada passo que dão tem que ser premeditado como se estivessem a atravessar um campo minado. A dona Esfaltina já tropeçou e escorregou na porcaria do passeio mais que uma vez…
Quando vou fumar o meu cigarro à varanda, vejo-os todos a passar de um lado para o outro! Parecem espécies estranhas a andar… A andar? Eles não andam! Eles… Eles vão deslizando.
Que digo eu? Vão dançando! É isso. As pessoas dançam pelas ruas que as conduzem aos seus postos de abastecimento alimentar. O problema é regressar. Regressar é uma aventura que nem todos conseguem enfrentar. Sim! O vizinho do 1ºC do número 174… Um dia vou ter que filmá-lo. Quando volta da mercearia com os seus sacos cheios de compras, parece uma cobra. Ele não anda! Ele rasteja. Também, quem é que manda comprar metade do stock da mercearia cada vez que lá vai?
Espera lá! Como é que ele compra tanta comida, se vai lá quase todos os dias? Come assim tanto? Aquele homem não é um homem! Só pode ser… É uma coisa que só pensa em comer e que se não o fizer, começa a mudar de cor e a produzir sons estranhos e assustadores, transforma-se num monstro em forma de boca com dentes até na língua e… Mas, ele não é assim tão forte para comer quatro sacos de dois em dois dias…
Há qualquer coisa estranha nisto! Será que contrata mão de obra ilegal e os trabalhadores dormem e comem todos lá em casa? Ou será que esconde algum extraterrestre? O Alf ? É isso! O vizinho do 1ºC do nº 174 está feito com seres de outro planeta que vai alimentando em troca de…

(continua)

Pierrot le fou

3 comentários:

Marília Gonçalves disse...

Aguardo ansiosamente a continuação
Marília Gonçalves

Marília Gonçalves disse...

ai que nao desespero de me ver aparecer aqui a física quântica e os
"universos paralelos"
estou esperando ate onde nos transporta a imaginação criativa do Pierrot!

Marília

dida disse...

retirando o 'ora porra:
acabou-se o gin tónico?