3.2.11

ILIONÁCIO TROCOU A POLÍTICA PELA PRODUTIVIDADE (UCSO)


Depois de muitos anos a praticar política, nas suas várias modalidades reconhecidas pela (FIIBMOPCQT) Federação Internacional de Incapazes em Busca da Melhor Oportunidade e Prestígio à Conta dos Que Trabalham, Ilionácio tinha renunciado ao seu estúpido cargo de deputado com regalias, varizes cerebrais e cirroses hormonais.
Recém ambicioso que pretendia destacar-se na nova sociedade dos candidatos à impotência sexual induzida pelos interesses de viveiro, alimentados com restos de vacas loucas e sobrancelhas de economistas televisivos "tementes a Cultura dos povos", Ilionácio queria agora sentir-se superior a si próprio. Queria apagar o seu triste passado, passado que a sua consciência, em combinação com as unhas dos pés de outros membros dos ministérios da República, que como ele, escreviam e violavam leis e corpos vivos que a sua limitada mente não reconhecia, nas suas obcecadas prioridades técnicas, no mundo das políticas humanas convertidas em fórmulas e organizações numéricas , distantes da paixão e do respeito, que o seu cérebro atrofiado passara a ignorar, em nome do resultado que aprendera na escola dos automatizados pela informação que lhes transmitiram, ou pelo conhecimento inscrito nas fábulas do universo paralelo à evolução das civilizações, conjuntos de seres com tradições, em busca do famoso conhecimento, com obstáculos promovidos pelos poderes da ignorância aliada ao bem estar sugerido por descendentes das tendências que resultam do consenso de poderes, mais prático, que domina e decide, na estrutura firmada, ou mais simplesmente, naquilo que correntemente chamamos: "sociedade".

Ilionácio, acreditava no real significado da produtividade. Queria agora mostrar aos seus antigos concorrentes do poder social e económico, pelas assembleias, bolsas e bancos vaidosos e orgulhosos da sua imunidade a qualquer regulamento tibutativo, que as suas políticas não serviam as prioridades e as grandes necessidades das pessoas que já só sobreviviam porque a dita política precisava de alguém para fazer alguma coisa, ou simplesmente, para se esforçar e trabalhar em nome das leis e dos ditados interesseiros que os ministros e deputados acomodados lançavam, em nome da banalizada economia, tão manipulada pelo poder que legislava e que agia com vaidade equivalente ao seu egoísmo e omni-incompetência, incoscientemente translúcida.

Depois de vários anos a dedicar-se ao seu projecto "UCSO", Ilionácio tinha agora quinhentos mil empregados a trabalhar para ele, numa série de fábricas.
Os políticos dos vários partidos que protagonizavam a novela da ignorância parlamentar, estavam surpreendidos com os resultados e empreendedorismo de Ilinácio, e em simultâneo desiludidos com a estranha relação entre a elevada produtividade e os zero porcento de lucro.
Ao contrário dos políticos, o povo que trabalhava tinha percebido tudo e concluiu bem antes do primeiro estímulo financeiro que lançou o império industrial de Ilinácio,... que seria muito difícil exportar urina de cão sem odor (UCSO).

Pierrot le fou, 2011

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