27.8.10

O SUCESSO DE BARBATÁCIO DOS AVIÕES



Barbatácio era um individuo humilde e trabalhador. Farto de transportar o lucro daqueles que o empregavam, decidiu um dia, demitir-se e dedicar-se aos seus projectos.
Foram muitos os anos em que trabalhou, para pagar rendas, contas mensais e regalias de poderes tecnocratas de seres que condicionavam o seu desenvolvimento e presença na sociedade.
Os jornais, a televisão, a Internet e outras ferramentas da existência banal, ajudaram-no a melhor interpretar os acontecimentos perturbadores, que violavam a privacidade e a harmonia da sua inteligência.
Sem familiares na política, no mundo empresarial ou no clã das instituições favorecidas, que espirram contrapartidas fiscais, Barbatácio decidiu aliar-se às novas tendências, apostando na reciclagem de materiais, usando uma nova técnica, que consistia na transformação nuclear, de todos os tipos de matérias imagináveis, através de um processo secreto, fechado num cofre, por aí, algures...
Passados uns anos, num restaurante em Boston, um homem dirige-se à mesa onde jantava e:

"Desculpe incomodar. Não é o senhor doutor Barbatácio?"
- Em pessoa, sem o "doutor". Responde
- Sabe, é um verdadeiro prazer conhecê-lo! Seja bem vindo à nossa família.
- Família? Que família?!
- Percebe o que quero dizer...
- Eu não percebo nada! Nem o conheço, por isso, não pode ser da minha família!
- Referia-me à família dos grandes empresários...
- Ah... Se vem falar comigo por causa do sucesso da expansão da minha empresa pelo mundo, não me interessa!
- Seja como for, dou-lhe os meus parabéns e desejo-lhe uma boa continuação. Já agora, posso fazer-lhe uma pergunta?
- Faça!
- Como é que conseguiu alcançar tal prestígio? Como é possível ter tantos empregados?
- É simples meu amigo. Pago bem todos os que trabalham para mim e... Chegue-se aqui.
O homem aproxima-se e:
- Os aviões que vendo...
- Sim?
- São feitos com filtros de café reciclados...
- Filtros de café recicl...
- Já agora, o senhor não se apresentou. Tenho o prazer de estar a falar com?
- Não sou conhecido.
- Mas diga, homem!
- Belmiro... Belmiro tout court...

O homem atrevido, foi andando para junto da sua garrafa de trezentos dólares americanos, que bebeu até ao fim, a pensar na inutilidade da sua frustrada ganância de cinco mil milhões de euros, humilhada por um tal Barbatácio dos aviões, que reciclava filtros de café...

Pierrot le fou

1 comentário:

Marília Gonçalves disse...

« Preguntitas sobre Dios », Atahualpa Yupanqui
« Petites questions sur Dieu »

Un dia yo pregunté / Un jour moi j’ai demandé :
Abuelo, donde está Dios ? / Grand-père, où se trouve Dieu ?
Mi abuelo se puso triste / Grand-père triste est devenu
y nada me respondió. / et ne m’a rien répondu.

Mi abuelo murio en los campos / Il est mort dans les champs, un jour,
sin rezo ni confesión. / sans prières ni confessions.
Y lo enterraron los indios / Et les indiens l’ont enterré,
flauta de caña y tambor. / flûte de roseau et tambour.

Al tiempo yo pregunté / Un peu plus tard j’ai demandé :
Padre, que sabes de Dios ? / Père, que sais-tu de Dieu ?
Mi padre se puso serio / Mon père grave est devenu
y nada me respondió. / et ne m’a rien répondu.

Mi padre murio en la mina / Mon père est mort dans la mine
sin doctor ni protección. / sans docteur ni protection.
Color de sangre minera / Couleur du sang des mineurs
tiene el oro del patrón. / que celle de l’or du patron.

Mi hermano vive en los montes / Mon frère qui vit dans la forêt
y no conoce una flor. / ne connaît pas la moindre fleur.
Sudor, malaria, serpientes, / Malaria, serpents et sueur,
es la vida del leniador. / telle est la vie du bûcheron.

Y que nadie le pregunte / Et n’allez pas lui demander
si sabe donde está Dios. / s’il sait où se trouve Dieu.
Por su casa no ha pasado / Chez lui n’est jamais passé
tan importante señor. / un aussi important Monsieur.

Yo canto por los caminos, / Moi je chante par les chemins
y cuando estoy en prisión / et quand je suis en prison
oigo las voces del pueblo / du peuple j’entends les voix :
que canta mejor que yo. / il chante beaucoup mieux que moi.

Hay un asunto en la tierra / Il est une affaire sur terre
mas importante que Dios. / plus importante que Dieu.
Y es que nadie escupa sangre / Que personne ne crache le sang
para que otro viva mejor. / pour que d’autres vivent mieux.

Que Dios vela por los pobres ? / Dieu veille-t-il sur les pauvres ?
Tal vez si, y tal vez no. / Peut-être que oui, peut-être que non.
Pero es seguro que almuerza / Mais il est sûr qu’il déjeune
en la mesa del patron. / à la table du patron.

à écouter chantée par le poète argentin Atahualpa Yupanqui :
http://blog.argentine-news.com/?p=967
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