29.1.10

O PESO DA PLUMA



Custa-lhe admitir tal postura, ser indeciso e parecer consentir tudo o que, aparentemente não o faz reagir.
O pudor que a sua fraca afirmação pessoal revela, não oculta os receios que a sua pessoa alimenta.
Tem o dom e a necessidade de escrever e construir, através das suas próprias linhas mas...
Mas a dificuldade está na resistência que encontra, é uma força que não vê mas sente o seu peso. Quando pega na pluma, começa a escrever. Para trás, deixa infinitos grupos de letras, organizados, dos quais se orgulha, a mão ganha velocidade e...
Sem saber porquê, pára!
Todos os dias são dias de recomeçar tudo. Acordar e logo de seguida tentar transformar em textos, as ideias e o bom senso, aglomerados, no passado próximo.

A sabedoria não existe, é variável e incompleta, as pessoas aprendem para recitar o livro, o parágrafo ou um simples texto, provavelmente, com a intenção de partilhar a informação que mais lhes parece correcta e aplicável, no contexto humano das associações representativas, daqueles que procuram o conhecimento...
Ao fim de tantos anos a desenvolver a suas composições livres, o escritor aperfeiçoou a sua forma, perdendo de vista, a perturbadora hesitação, que até então, achava ser uma dúvida pessoal, um lado fraco da sua vulnerável presença.

O escritor parou. Parou para reflectir, porque depois de tantas abordagens, sentiu o poder da sua escrita e a provável receptividade dos outros. Descobriu a força das palavras, que dirigira a tantos receptores.
Sentindo como um chamamento das páginas vazias, por preencher, o escritor teimoso não se cansa de tentar começar algo novo, longe de tudo o que habitualmente desenvolvera, até hoje.
Tentativa após tentativa, sente cada vez mais, uma energia que se opõem à sua vontade. Acaba de descobrir o peso da pluma.
Considerando-o um dever inquestionável da comunicação, não desiste e continua a escrever, para si... e para os outros.

Pierrot le fou

4 comentários:

Mendes disse...

Quanta verdade e observação!

Mendes

Anónimo disse...

Mas vale o bom nome do que as muitas riquezas, e o ser estimado é melhor do que a prata e o ouro".
(Livro dos Provérbios, cap.22)

Marília Gonçalves disse...

A Pluma tem o peso do nosso pensar, do nosso sentir, do nosso olhar desperto poisado sobre o Mundo.
A Pluma, a Pena, merece nossas mãos atentas sobre o contraste entre as penas terríveis as belezas naturais do Mundo, os sentimentos ou a ausência deles.
Que escorra livre, plasma universal, a tinta, e que a força da escrita seja uma luzinha sobre o Mundo
com o abraço amigo
Marília Gonçalves

Pierrot le Fou disse...

A força da ecrita oferece leveza à interpretação e realização à vontade de constuir...