31.1.10

O SONHO INCOMPLETO já tem "um" final!
(continue a participar)

Convido os leitores do blog a finalizarem "O Sonho Incompleto"
Será publicado, junto do post original.
Não se esqueça de assinar o texto, se tiver um site ou blog, deixe o seu endereço URL.
Obrigado e boa imaginação...

Teve um sonho, tudo parecia sereno. As pessoas do guião nocturno que o seu inconsciente traçou, não tinham rosto, eram vultos errantes, que levitavam pelo espaço que a sua imaginação desenhara.
Viu paisagens sem horizonte, combinações de cores, num cenário nunca visto até então.
Por ele, passaram emoções exageradas, de prazer, curiosidade e interrogação, andou por estranhos caminhos, sem destino previsível.
Deslocou-se incansavelmente, pelo espantoso universo, de infinitas nuances benéficas para interpretação, conduzida pela sua impotência física, já que adormecida.
Cada sítio era diferente de outro já visitado, parecendo mesmo assim, dar continuação a outros planos já descobertos, na sua espantosa viagem.
Um ruído exterior perturba a dimensão em que se encontra, um som demasiado real, que relembra o lado banal já por ele conhecido. O repúdio pela simétrica e banal moral dos acordados, impede-o de regressar mas resiste à rotina das obrigações e... (ofereça um fim)

Pierrot le fou

(1ª participação)
Em pleno sonho, despertei bruscamente. Contrariada verifiquei que o meu sonho não tinha acabado e que era preciso adormecer de imediato, para continuar o sonho e tentar desenvencilhar o emaranhado de dados. Adormeci de novo. Ia de moto, a paisagem desfilava a tal velocidade que nada tinha forma perceptível. Percebi então que não se tratava de nenhuma moto mas sim dum avião supersónico. Não admirava pois que não reconhecesse formas e paisagem. Era apenas ar o que me rodeava. Tinha enfim compreendido, quando olho com espanto peixes voadores que me acompanhavam o voo. Gritei: como te chamas? e uma resposta com sonoridade aquática chegou-me aos ouvidos: exocet! somos os exocet!
Nisto surpreendo-me com a pergunta que faço ao peixe voador que me ficava mais próximo: por acaso sabem onde posso arranjar um pargo? Fiquei de levar um para o almoço, mas daqui não vejo nenhum. Resposta imediata do exocet: Agora nesta zona não há pargos, foram todos apanhados pelos arrastões. Senti um terror súbito, uma rede imensa acabava de envolver-me e ao meu avião. Esbracejava aflita, soltem-me, soltem-me, não sou nenhum pargo! não sou nenhum pargo! A minha voz saia-me nítida e potente. Tão alto gritava que a minha voz me despertou. Afinal quem me agarrava era o meu marido, que tentava acordar-me do pesadelo. Olhava-me com espanto. Exclamou, olha, termos peixe cozido para o almoço fez-te esse efeito todo? Mas enganaste-te com o peixe em questão, foram bicas que comprámos ontem para o almoço de hoje. Aparentemente não fizeste bem a digestão do que ainda nem comeste!
Mas nada disto era verdade, na realidade eu continuava a sonhar, tinha adormecido na praia por baixo do chapéu de sol.
Quando enfim despertei à minha volta as pessoas riam à gargalhada. Algumas frases dr protesto no sonho,tinham sido dias em voz forte e de repente ouvi uma voz que parecia eco do meu sonho: não sou um pargo, não sou um pargo....
e fiquei de olhar perdido, longe sobre o mar...


Marília Gonçalves

30.1.10

O ANO JUDICIAL COMEÇOU...
(a brincadeira continua)


A imagem acima inspira-o?
Diga de sua justiça.

29.1.10

O PESO DA PLUMA



Custa-lhe admitir tal postura, ser indeciso e parecer consentir tudo o que, aparentemente não o faz reagir.
O pudor que a sua fraca afirmação pessoal revela, não oculta os receios que a sua pessoa alimenta.
Tem o dom e a necessidade de escrever e construir, através das suas próprias linhas mas...
Mas a dificuldade está na resistência que encontra, é uma força que não vê mas sente o seu peso. Quando pega na pluma, começa a escrever. Para trás, deixa infinitos grupos de letras, organizados, dos quais se orgulha, a mão ganha velocidade e...
Sem saber porquê, pára!
Todos os dias são dias de recomeçar tudo. Acordar e logo de seguida tentar transformar em textos, as ideias e o bom senso, aglomerados, no passado próximo.

A sabedoria não existe, é variável e incompleta, as pessoas aprendem para recitar o livro, o parágrafo ou um simples texto, provavelmente, com a intenção de partilhar a informação que mais lhes parece correcta e aplicável, no contexto humano das associações representativas, daqueles que procuram o conhecimento...
Ao fim de tantos anos a desenvolver a suas composições livres, o escritor aperfeiçoou a sua forma, perdendo de vista, a perturbadora hesitação, que até então, achava ser uma dúvida pessoal, um lado fraco da sua vulnerável presença.

O escritor parou. Parou para reflectir, porque depois de tantas abordagens, sentiu o poder da sua escrita e a provável receptividade dos outros. Descobriu a força das palavras, que dirigira a tantos receptores.
Sentindo como um chamamento das páginas vazias, por preencher, o escritor teimoso não se cansa de tentar começar algo novo, longe de tudo o que habitualmente desenvolvera, até hoje.
Tentativa após tentativa, sente cada vez mais, uma energia que se opõem à sua vontade. Acaba de descobrir o peso da pluma.
Considerando-o um dever inquestionável da comunicação, não desiste e continua a escrever, para si... e para os outros.

Pierrot le fou

26.1.10

O HOMEM VOADOR



Pairava o homem por cima da Assembleia da República, quando um jovem que por ali passava, diz ao amigo:
- Estás a ver? Aquele é que é o Zé voador. Lá está ele, mais uma vez a importunar os ministros e deputados.
- Coitado!
- Coitado?
- Sim, tem o dom de voar e perde o seu tempo a voar por cima dum sítio tão triste e com tão pouca esperança.... Poderia por exemplo, andar por aí a ensinar os outros a desfrutar de tal liberdade.
- Bem visto! Se ele nos ensinasse a voar, poderíamos viajar pelo mundo e descobrir infinitas coisas interessantes.
- Iríamos à Ásia...
- Aos Estados Unidos
- África!
- Seriamos como passarinhos à solta...
- Se calhar, o homem já fez essas viagens todas.
- Achas? E viria fixar-se na Assembleia da República?
- Pois, deve haver uma razão...
- Porque não lhe perguntamos?
- É isso, pergunta tu.

O rapaz aproxima-se do homem voador e:
- O que faz o senhor aí em cima? Há tantos espaços interessantes para descobrir...
- Já os descobri todos. Diz o homem voador.
- Fartou-se de coisas boas?
- Não jovem, sabes, estou de férias.
- De férias?
- Sim, quando tiramos férias, precisamos de repouso e de prazer!
- Por cima da Assembleia da República? Não será pelo contrário, um pouco triste e cansativo?
- Não jovem, a vida não é só divertimento, por vezes temos que activar o nosso sentido de piedade e condescendência. Ao planar por aqui, vejo a capacidade da fraqueza humana, sob outro ângulo... Estas são as minhas férias!

Os dois jovens, embora conscientes das suas limitações, olharam um para o outro e afastaram-se, alegremente, simulando com os braços, o bater de asas.

Pierrot le fou

23.1.10

100 ANOS DE DJANGO REINHARDT

Django Reinhardt, um dos maiores guitarristas de sempre (para sempre).


Mais, aqui, aqui e aqui

2.1.10