29.5.09

O Pobre Governador e o Homem Frio
(pena perpétua para a vítima)


"Cometi um crime grave!" Gritava o desesperado ser, inconformado com a flagrante estupidez que dirigira o seu destino naquela decisiva hora.
- Um crime? Gaba-se de ter cometido um crime em voz alta e continua a passear pelas ruas? Pergunta o Homem Frio, com voz revoltada.
- Não me gabo, pelo contrário,... Ao gritar, solto o meu puro e límpido desejo, de mostrar arrependimento. Sou um simples ser, os meus impulsos são naturais,... Falar alto, é um direito pessoal, complementar da minha nobre função... um direito adquirido.
- Adquirido ?...
- Sim, a lei prevê imensas regalias, para pessoas importantes como eu, posso por isso, ao dirigir-me aos outros, aplicar a dinâmica que considerar necessária...
- Importantes?! O que faz o senhor?
- Sou governador.
- O que governa o senhor?
- Um banco.
- Um banco?! Aaaaah, Já percebi tudo, andou a mamar dinheiro e prestígio, desde sempre e em tempos agitados, chama pela mamã! Continue a representar, não encoste essa sua falsidade...
- Eu não sou falso!!
- Então porque chora por transferência bancária, em vez de agir com dignidade?...
- Dignidade? Como?
- É tão fácil...
- Fácil?
- Sim, "Senhor Moedas dos Outros"! Fácil e barato para a sua ignorância e colaboração, geneticamente alteradas pela sua mente obcecada em injustiça e dificuldade dedicadas a todos os que respiram a seu lado!!
- Sabe? Sinto-me tão mal...
- Mal? Os seus sentimentos nunca serão julgados, o seu arrependimento é desfasado, frente à imoralidade, que em sua egoísta defesa, tenta realçar!
- O senhor é mau!
- Mau? Todo o dinheiro que recebeu ou refundiu, atrás das suas máscaras, no Carnaval dos idiotas das instituições mentirosas, serviu a sua culpada vaidade mas não impediu a oxidação da sua carcaça, nem a emergência dos responsáveis por tantas vitimas pelo Mundo!
- Sinto-me Mal!
- Outra vez?
- Sim! é um direito...
- Adquirido, já todos sabemos! Tem direitos personalizados, destinados à sua inútil importância! Diga em voz alta... Diga se é homem forte, para assumir os seus erros! Diga que é ladrão do povo e usurpador dos seus direitos!!
- ...
O Governador evaporou-se,... (como o Escudo português).
O tempo passou, passou. até que...

Numa prisão, encontrava-se o o Homem Frio a narrar:
- ...e felizmente, passados poucos dias deste defeituoso encontro, fez-se justiça, o homem que ao longo de tantas décadas, todos os vivos, enganara, foi destituído do seu alto cargo de Governador da Caixa Forte Moderna do Reino Portucalense Europeu.
- Prenderam o gajo?
- Sei lá!... Não passo dum cidadão que tenta respeitar a hierarquia das penas!

No ciclo dos vivos indefesos, justiça institucional e razão, seriam elementos nulos, em favor de qualquer lógica ou conclusão, para os seres encurralados, no trampolim dos acrobatas da moralidade...

Pierrot le fou

28.5.09

Rir faz bem à saúde (Parte 3)
"O homem e a luz"

(acordo ortográfico? E se falássemos assim?...)


Ah! Mas que bela matinada! Diz o falador logo depois de acordar.
Hoje, mal abri o estoril do meu quarteto, logo toda a solaria entrou alegremente.
"É grande prazer que tenho, este de te ver assim tão claro, mais essa vontade de tudo me mostrares, me dá ideias e faz acordar... Ó Dia!" (completou).
Como é bom saber-te aí, então que a minha parte é tão pequena e dependente dos teus humores... ó Tempo! Disse.
Se assim continuares, para te ajudar, em nada me importará com minha lanterneta iluminar, os restos da nossa Terreta, que não consigas alcançar.
Tanta luzura, tanta verdade!
É importante para a minha presença aqui, que tudo se veja com a digna aparência, de tudo que pretende aparecer.
Por cá, muitos são os homens, que melhor querem ver e que mal usam a olheira, tantas são as almas perdidas que não se fartam de tentar...
Se toda essa tua esforçura e vontade de nos mostrar o que é e se pode observar, é sinal de boa fé, reconheço, grandiosidade e enormidão, nessa tua capacidade de tornar banais os candeeiros em minha casa, ao acenderes a luz deste céu tão enorme.
Hoje, foi um bom acordamento! Sinto-me mais forte e mais capaz de interpretar!
Vejo bem, tudo tem cor própria e grandiosidade.
Serei a partir de hoje, grande olhador e guardarei debaixo da boina, todas as imagens de proveito inquestionável.

O dia seguiu o seu rumo, deixando para trás, mais um recém-acordado olhador, que em resultado desta sua nova existência, cancelou o contrato com a empresa fornecedora de energia eléctrica e passou a olhar muito mais.

Pierrot le fou

26.5.09

O Escuro (curto diálogo circunstancial)


"Ai, ai... Ai ai ai!"
...Ai? Pergunta uma voz na escuridão, naquele espaço perdido, talvez infinito.
- Sim... Ai!
- Há por aí sofrimento?
Faz-se silêncio e... e ouve-se:
- Sofrimento não! Ai ai ai ai!...
- Que tentas dizer? Porque produzes tantos sons, para tanto ou nada dizer?.. Quem se expressa de tal forma?
- Eu!
- Eu?... Posso ajudar-te?
- Sim, por favor, tenho grande medo do escuro porque nele, nada se revela, tudo é oculto e assustador... nada consigo alcançar.
- Porque vives nessa instabilidade e insegurança?
- Desde sempre fui medroso, o desconhecido merece por minha parte, exagerado respeito e incompreensão exacerbada!
- Não deve o amigo, tornar-se matéria combustível para esse seu defeito!
- Bem sei, bem sei...
- O que pensas do universo?
- Universo?... Universo... Se os versos se unissem para me proteger em tal hora, resultariam da minha criatividade, infinitas linhas de prosa benéfica e reparadora, desta insuportável fraqueza, que os presentes vulneráveis e instáveis da minha génese transportam...
- Referia-me ao universo, a imensidão... "o desconhecido"...
- Percebi.
- Essa tua fobia tem origem...
- Na escuridão!
- Na escuridão ou trevas, revela-se a interpretação e ignorância dos sábios isolados, a sua ansiedade é por si, uma considerável convicção nos seus objectivos adormecidos ou dívida pessoal para com as suas capacidades!
Faz-se silêncio e...
- Continue amigo, continue... Amigo? Amigo?!..."

Ninguém responde.

"Não me deixe aqui sozinho no escuro! Por favor!..."

O Homem Medroso ficou ali só, acompanhado da sua assustadora ansiedade, à espera...

A solidão e a ausência de luz teriam levado o Homem Medroso a comunicar com um sábio viajante invisível ou, teria o seu lado inconsciente, gerado um diálogo inibidor de seus medos, que por momentos quase iluminou uma voz reconfortante, cúmplice da sua imaginação?

Pierrot le fou

22.5.09

Tudo (conclusão imaterial)


O homem acabou por cumprir uma pena de prisão eterna, no espaço limitado pela sua mente definidora das suas capacidades em vias de revelação.

O poder interpretativo do aprendiz, já condenado à definitiva posição de recitador do vago texto conhecido até então, não lhe permitia avançar.

O caminho será longo, o traçado orgulhosamente indefinido.
Como poderá ele acordar e desencadear a reacção inteligente, reveladora da sua provável presença, no painel dos evoluidos?

Argumentava o Espaço, com teorias justificadoras dos seus resultados aparentes, tentando através de afirmados exemplos, valorizar os seus feitos, provavelmente sólidos e organizados.

Como poderia um frágil receptor, consentir uma afirmação tão vaga?

...sentimentos e fraquezas acabariam por surgir.

Pierrot le fou

11.5.09

Dançar (tout court)


Se no seu emprego (ou Trabalho...), estiver a atravessar uma fase difícil ou sentir interferência por parte de colegas impossíveis de aturar (chefes frustrados, imbecis, invejosos, complexados, mal casados,...), imagine a música e reproduza os passos do carteiro frente ao inimigo...
Veja aqui