24.4.09

Pós 25 de Abril 2009 em Portugal?
Refundidos e frustrados continuam a impedir a sua boa aplicação!


Os direitos dos cidadãos limitam-se à sua intervenção individual e colectiva, na sociedade instável presente, considerando o estado de repouso de todo o cenário cívico.
(Pierrot le fou 2009)

DIREITOS 1948: AQUI

Os partidos políticos auto-banalizaram-se, perderam definição e significado (ver legitimidade...) por vontade própria de dirigentes oportunistas, que com sua vaidade e egoísmo, não hesitaram em aceitar o posto de "imperador do seu território", na grande escala da pirâmide social ultrapassada.

A Economia adoeceu, o poder político projecta o diagnóstico!

Os Bancos tropeçam, o poder político encontra justificação e redefine a sua decadente autoridade!

O poder político é inócuo (mas continua a decidir), as ideologias dissipam-se no ambiente das permutas ocultas definidoras do presente imoral!

Os cidadãos têm que produzir logo ao nascer!

Longe de qualquer intervenção interessante, a maioria dos recenseados, no passado, votaram nos actores que mais os encantaram, e que só passaram a conhecer, em momentos de campanha na pretensão ao trono dos idiotas de reforma garantida.

Muitas são as pessoas que ouço dizer: "Eu não votarei nas próximas Legislativas!"
Aqui está a grande resolução para todos os nossos problemas!

Se temos sido governados por indivíduos eleitos por perto de um quinto da população, então... teremos a solução ideal, na ausência total nas urnas (ver Coreia do Norte... muito parecido), no direito cívico mais visível, notado até hoje, naquilo a que insistimos em chamar "democracia".

Bastariam 1500 votos para governar (continuar a vender) o povo português.

Lembre-se que o dinheiro que saiu de Portugal logo a seguir ao 25 de Abril de 1974, voltou em parte...mas com exigências condicionais, que redefiniram a "Política em Portugal"!
Muitas políticas de governação, que por cá têm sido "aplicadas" (...) funcionaram através consentimento de poderes ocultos (e assim têm funcionado muitos países pelo Mundo (ver Obscurantismo).

É verdade... Quem fez o 25 de Abril, foram os militares portugueses!
O povo "em geral",... continua encostado no sofá!

Viva Portugal!

Pierrot le fou

4 comentários:

Marília Gonçalves disse...

VIVA O 25 DE ABRIL SEMPRE

Marília Gonçalves

Marília Gonçalves disse...

Carta Aberta à Juventude de Portugal

(sois a Promessa do Futuro)


Quando se é muito jovem, pensa-se quase sempre deter a verdade absoluta! o que é de todo impossível, e nós os mais velhos sabêmo-lo tanto melhor, porque fomos em tempo jovens também, e que sabemos que a vida é uma interminável aprendizagem! Conhecemos bem realidade da nossa Juventude e conhecemos bem a vossa, porque vos amamos, a vossa geração é nossa filha! E quem pode conhecer-vos melhor que quem vos vê os passos desde meninos, desde que cambaleantes e corajosos desafiando a gravidade vos haveis posto de pé? Pois vida fora todos temos sempre que enfrentar esse mesmo desafio, erguermo-nos dos nossos medos, das nossas decepções, porque somos Seres Humanos e acima de todas as considerações, manda a nossa Dignidade e o respeito que devemos merecer-nos. A auto-estima, o auto-respeito conquistam-se no dia a dia, porque a nossa verticalidade, esta postura que só o ser humano tem, obriga-nos a comportamentos que nos não desqualifiquem aos nossos olhos e aos da sociedade na qual estamos integrados, num interminável questionamento da consciência, em escolhas constantes, que nos parecem ou podem parecer as mais adequadas e as mais justas. Mas para que tal seja, para que possamos ter a certeza de não nos enganarmos é necessário ter referências sólidas e poder estabelecer comparações entre os vários casos de figuras que se nos deparam. E essa possibilidade de optar quando chegamos à uma conclusão que nos convém, é a Democracia. Democracia é a possibilidade que cada um tem de escolher segundo a sua consciência, para poder fazer valer as suas convicções dentro da sociedade a que se pertence. Ora para saber escolher é preciso ter modelos para comparar. Modelos para os quais nos documentamos aprofundadamente! Dá trabalho? pois dará algum, mas que magnífica recompensa, sermos nós a comandar os caminhos de nossas vidas, os passos do nosso Futuro , para que ninguém possa escolher por nós! Mas ainda assim é absolutamente necessário saber o que se quer da vida, o que desejamos que seja o Futuro que nos espera, de modo a não atraiçoar-nos a nós próprios, por um simples engano, ou por um instante de preguiça cerebral que nos impediu de reflectir! Assim pude ver entrevistas a Jovens de Hoje que pouco ou nada sabem do que foi o Salazarismo/Caetanismo:FASCISMO Pois vou dizer-lhes o que me toca ainda hoje trinta e cinco anos depois do 25 de Abril de 1974 lhe ter posto cobro: passados tantos anos continuo em França, mau grado meu, que o meu maior amor é PORTUGAL, os seus caminhos, suas gentes as suas cores, o cheiro que corre as ruas, a pó torrado do sol, o cheiro do café quando passamos à porta duma pastelaria ou dum Café, o cheiro a morangos nas ruas e os sons que só existem em Portugal, desde a Língua à música, às canções que correm de boca em boca, aos poetas populares que com suas quadras fazem o retrato de suas e nossas vidas. Porque para aqui vim menina (com um interrengno ligado a meu casamento) como tantos outros, uns por umas razões outros por outras, por cá fico e provavelmente aqui morrerei longe da Luz em que nasci e que nunca me larga os olhos e o coração. Outros tiveram mais trágica história,mas enfim o que posso contar melhor e que nada pode desmentir é a minha vida e a de todos os que me estavam mais próximo e que por bons tanto vi sofrer. Mas se estou longe fisicamente, o meu pensamento e o meu sentir estão permanentemente empenhados em tudo o que toca Portugal. Por isso em minha casa sempre se falou português, por isso escrevo em português, contra o que a distância nada pôde. Mas porque partiu tanta gente de Portugal? Porque se esvaziaram as aldeias?


Seria que os portugueses deixavam sua terra, suas casas, , suas famílias, para ir para países desconhecidos, outra maneira de viver, trabalhar tantas vezes recebendo ofensas, trabalhadores clandestinos, sujeitando-se a humilhações nos países a que chegavam, escondidos em bairros de lata, sem papéis que lhes permitissem habitar e menos ainda trabalhar nas terras a que haviam chegado, faziam-no por e para fugirem à boa-vida? ou por tentarem acabar com um estado de sofrimento permanente, sem esperanças, e onde na última década anterior ao 25 DE Abril a única certeza que se tinha era que se uma família tinha um filho rapaz, iria um dia, vê-lo tão jovem ser levado para a guerra colonial em África para defender os interesses de uns quantos, enquanto eram os filhos do povo que pagavam com suas vidas, com sua saúde, o preço dos interesses malévolos de meia dúzia. E os que não morriam, quantos voltaram deficientes? outros muitos outros traumatizados, marcados para sempre, por matar ou ver matar os colegas e amigos diante de seus olhos. Matar e ver morrer não pode deixar incólume um ser humano que realmente o seja! Uma dor infinita o habita para sempre. E essa guerra injusta era o que vos esperava Jovens, se o 25 DE Abril não tivesse tido lugar e se a política iniciada com Salazar e continuada com Caetano tivesse prosseguido.
Ah dizem ou pensam alguns de vocês: a gente não ia! mas isso Juventude é esquecer a PIDE e o sistema opressivo e repressivo que então existia. Quem se opusesse às ordens fascistas era preso, preso e torturado, das formas mais terríveis e desumanas que se possam imaginar.
Porque as prisões estavam cheias não apenas com os Resistentes adultos, estavam também cheias de JOVENS ESTUDANTES BARBARAMENTE TORTURADOS, porque não aceitavam a imposição do silêncio, que impedia a mais leve forma de protesto. Porque esse direito que vocês hoje têm de dizer o que pensam, dantes era punido com a prisão e a tortura. E no entanto hoje vocês quando falam, esquecem que isso foi uma das grandes Conquistas de Abril: O Direito à Palavra!
Terrível não acham a gente saber que nos dói e não o poder dizer por ser considerado um crime?! Pois isso era o que se vivia em Portugal até essa Manhã de Abril!
E nessa manhã única na História do Mundo começava a mais Bela Revolução. Onde se viu fazer cair um regime de tal poder de controlo sobre a população, sem fazer um morto?

Porque as mortes que houve num derradeiro sobressalto da maldade fascista, vieram dos Pides que das janelas dispararam sobre o povo desarmado. O seu ódio ao Povo de Portugal manteve-se inalterável até ao fim.
E há quem pretenda que tal horror, responsável de tanto crime, é que era o bom tempo? que maldade, que ignorância, que atraso, que falta de memória ou que capacidade de deturpar os factos os anima?
Jovens e vocês escutam tais parvoíces? quando o seu maior ódio era contra vocês, a vossa incauta juventude que se voltava! quando os vossos gestos mais inocentes eram tidos e olhados como desaforo moral, como o de dois enamorados andarem de mão na mão ou se num banco de jardim a rapariga encostava a cabeça ao ombro do namorado!
Jovens documentem-se! procurem antigos jornais anteriores ao 25 de Abril, se os souberem ler e analisar mesmo um jornal fascista para o caso serve, porque vos permitirá ver o que proclamavam como valor a seguir E leiam entre outros bons Jornais o “NOTICIAS DA AMADORA” por exemplo, cujo Director pagou o preço da sua integridade com o ser privado de Liberdade! Quando ele apenas informava os portugueses!

E por favor Jovens aprendam a estabelecer comparações, vejam o que era a vida em PORTUGAL antes do 25 de Abril, procurem informações sobre os DIREITOS abertos a todo o povo português após o 25 de Abril e vejam a diferença! Não vão na conversa de saudosistas! vocês têm à vossa frente as portas do Futuro.
Desenham com a luz de vossos cérebros no vosso coração o Portugal, o Mundo em que gostariam de viver, onde mais tarde gostariam de ver crescer vossos filhos. E quando tiverem a certeza do que querem, batam-se para que o vosso sonho seja realidade! Em que Mundo querem viver? No Mundo em PAZ e Fraterno ou num mundo individualista e indiferente?
O coração Jovem foi sempre berço da Generosidade e de sonhos de progresso, por isso Juventude o caminho para chegar até lá, está nas vossas mãos, na vossa inteligência! naquilo que nos distingue dos animais ditos irracionais: é que nós sabemos pensar! e neste caso, pensar, reflectir é saber analisar em posse de dados concretos e não seguir caminho à voz de gente que caduca não quer deixar a Juventude seguir o caminho de Luz que é o seu, rumo a um Futuro ridente e de PAZ.

E acima de tudo aprendam a reconhecer as falsas maneiras dos que vos querem vendar gato por lebre, para depois de se encontrarem no Poder, serem os inimigos temíveis, idênticos aos do período que antecedeu o 25 DE Abril de 1974

Até sempre
Marília Gonçalves

Marília Gonçalves disse...

25 Abril 35 Anos 2009


O 25 de Abril…voltamos a estar inquietos!!!

Não é um aniversário qualquer…porque já são, uns maduros 35 anos!
Não é um aniversário qualquer…porque estamos passando por uma grave crise interna e global.

……………………………………………………………………………
…. Houve 25 de Abril porque queríamos ser Livres, estar…em PAZ, contribuir, com plena cidadania, para a construção do futuro…do nosso futuro e a ditadura fascista não nos deixava.

Esta era também uma “ outra guerra”. Um desassossego intimo.

Mas também houve 25 de Abril porque havia guerra: a guerra colonial.

Houve 25 de Abril porque havia colonização, ditadura, opressão, obscurantismo, repressão, demagogia, isolamento…um pesado policiamento das consciências.

Todos os que não se sentiam bem…com este estado de coisas… fizeram o 25 de ABRIL.

Fomos um só povo: europeus e africanos. Os do Norte e os do Sul, do Litoral e do Interior:
A sentir em português o acto: REVOLTA...
A falar em português a palavra: LIBERDADE...

A guerra que travámos tinha várias espécies de “teatro de operações”:

...o teatro de operações, dessa guerra, não tinha apenas o cheiro da mata e do capim, das chuvadas tropicais, do sol abrasador...dos trovões dos morteiros ou do rasgar das rajadas, dilacerando corpo e espírito...

da hipócrita dominação colonialista exploradora
e
dos homens que gritavam: queremos a Liberdade.

...o teatro de operações, dessa guerra, tinha o frio pungente da casa de pedra que chorava o seu filho ou marido perdido, o seu pai morto, entes queridos desaparecidos.


O império,
o do sofrimento,
é que era do Minho a Timor.

…O teatro de operações, dessa guerra, era sulcado pelo trabalho e esforço do português combatente e lutador, exilado ou emigrado... pelos quatro cantos do mundo,
onde aí, sim, o seu suor dava novos mundos ao mundo …
e o mundo lhe retribuía outra consciência.

O teatro de operações não era só em África, na guerra colonial…era em toda a parte
onde se lutava,
onde se trabalhava
onde se sofria,
onde se aprendia,
onde se conspirava
onde se crescia…

onde se queria um 25 de Abril.


A nossa profunda insatisfação estava lá. A guerra estava instalada no nosso íntimo. Só o 25 de Abril nos devolveu a auto estima.

A guerra em que nos meteram “Portugal uno e indivisível “ isolou-nos ainda mais …mas há sempre o reverso…e a dialéctica…
… colocou-nos solidários com a corrente de LIBERTAÇÃO, rumo ao FUTURO.




Antes da Descolonização (que não foi uma dádiva mas uma conquista dos povos oprimidos),

antes dela , germinou em nós a própria descolonização, da ditadura de quarenta e oito anos.

”Descolonizámo-nos” duma prisão, dum isolamento e dum obscurantismo.


E…só assim foi possível o 25 de ABRIL…

Portugal redimiu-se numa noite e fez surpreendentemente, dum conjunto de jovens militares, emergirem capitães, timoneiros do povo armado…mas também, sob a égide dum povo unido, erguer uma das mais belas alvoradas.

Esta alvorada libertadora nunca poderá ficar dissociada:
-nem da madrugada da forte fusão Povo-MFA….soldado/capitão;
-nem da madrugada do movimento popular, vigilante e seguro;
-nem do 1º, Primeiro de Maio”, que veio logo a seguir;
-nem das anteriores heróicas lutas dos resistentes e combatentes antifascistas.


Por isso mesmo será sempre justo o clamor de reconhecimento e também de comemoração festiva:
-para todos os combatentes da Liberdade, de qualquer cor ou credo, dentro e fora do país!
………………………………………………………………………….

-Uma Alvorada libertadora, só por si, não faz uma Revolução…mas há Alvoradas que as fazem.
Nesse dia, há 35 anos, o 25 de Abril sendo um Golpe Militar, trabalhoso e difícil, cuja intenção e grandeza não se poderão negar, teve na estrondosa adesão popular a plataforma para um estado superior.


Vindos da luta e do sacrifício de longos anos, o povo, o povo trabalhador e o movimento popular levantou o Sol naquele dia, há 35 anos, e com ele a nossa Alvorada, a dos capitães, foi REVOLUÇÃO…fez-se REVOLUÇÃO…a REVOLUÇÃO dos Cravos.

Ao povo, aos cidadãos… foi restituído o que era deles e por isso eles acorreram: a tomar nas suas mãos o que lhe era pertencia:
-nas instituições;
-nas fábricas;
-nos bairros;
-nas escolas;
-na terra…no campo…na serra.

Nós capitães de Abril (militares de carreira) aprendemos (na guerra onde nos meteram) a arte da organização militar, mas também colhemos nela as contradições do sistema, cruzando informação e sabedoria com o povo soldado e o povo colonizado, escutando o que se passava no resto do mundo…

Sabem, os que tiveram em guerra, a quanto anos de reflexão
a quantos anos de saber
a quantos anos de aprendizagem
podem equivaler um dia de trincheira?!?

Comissão de guerra após comissão guerra( e alguns tiveram 3 em oito anos), impregnou-se em nós, exactamente, nesses anos 60, o que os anos 60 deram ao mundo:
Sonho, luta, renovação e esperança…

Nós capitães, anos após anos, constatámos que afinal o nosso inimigo não estava na mata tropical mas no Terreiro do Paço…Altas patentes militares e Governantes mentiam-nos sem pudor.

E foi, paradoxalmente, com os conhecimentos adquiridos nessa guerra, que soubemos preparar com profissionalismo e competência a tomada do poder, em Portugal e também na Guiné, como aconteceria a 25 de Abril.

………………………………………………………………………………

Hoje, passados trinta e cinco anos, o Portugal Democrático não tem nada a ver com o Portugal da ditadura.
É fundamental não perder de vista esta realidade.

Não confundamos os males de então com os dias difíceis de “hoje”, que já o eram “ontem”
e tem vindo a sê-lo ( há tantos) destes 35 anos.

Quiçá, terá mesmo alicerces numa data venerada por alguns inimigos da Revolução, dum certo Novembro da nossa Primavera.

Alguns desesperados desabafam: “está tudo como dantes”...”está tudo na mesma “ .Não o devem repetir. Isso significa comparar tempos e agonias diferentes.

Cuidado…não branquear o fascismo.
Sobretudo não devemos fazê-lo pelos mais novos e pelos que não viveram o triste passado da opressão.

Os desencantos de agora e respectivas frustrações são de hoje, embora as suas raízes sejam antigas e outras tenham vindo juntar-se-lhes no país e no globo. São-nos:
Resultado da essência e natureza dum sistema predador: Responsável pela miséria, pela fome e pela doença de milhões de seres humanos;
Responsável pela depauperação de países e pela pilhagem de continentes.

- esse sistema tem um nome, anda a monte e chama-se: “capitalismo”…mascarado ou não de Neo-liberalismo, ultra-liberalismo global…ou de outra exuberante alcunha qualquer.


Veio agora a chamada crise recente desmontar um arsenal ideológico de mentiras, de manipulação de palavras, de subversão e ilusão de conceitos e de ilusão de realidades…para sacudir responsabilidades e reverter em benefício próprio as razões que lhe estão na origem.
…………………………………………………………………………….
A crise é só de hoje? Claro que não.
Hoje terá chegado aos poderosos, mas há que tempo a vivemos.
Há anos que vimos afirmando que o sistema gera desumanas situações sócio-económicas, com uma aparente e ilusória contrapartida de progresso económico,

onde os ricos tem ficado cada vez mais ricos
e os pobres, cada vez, mais pobres.

Não faltariam elementos para desfilar um rosário de exemplos, paradigmas da crise, das crises.

Há muito que a economia social foi estrangulada e a vertente financeira(especulação) se sobrepõe à vertente produtiva (economia real).

Essa é a crise e, infelizmente , há muito.



E o que é que isto tem a ver com o nosso 25 de Abril?? Perguntarão.

Tem tudo a ver.

Para nós Capitães de Abril, para a esmagadora maioria de nós, de todos nós , o verdadeiro 25 de Abril assentava numa base programática ( o programa do MFA) com os direitos e os deveres do cidadão, dignos dum Estado-Social…e que, apesar de tudo -mas muito- da luta dos progressistas, a Constituição da República Portuguesa viria a consagrar, em letra, em 2 de Abril de 1976.

Que País e que Estado-Social temos, 35 anos depois?

Que outra “guerra” ou outras “guerras” nos atormentam?

Dos três marcos da Revolução Social: Liberdade, Igualdade e Fraternidade, os poderes instalados só vibram com a Liberdade.

E isto acontece, porque as suas centrais manipuladoras, tentam anestesiar os próprios povos. Atiram-lhes com a Liberdade…como se esta, só por si, tudo resolvesse.

Mas onde andam a Igualdade e a Fraternidade que parecem de outra galáxia?

Adensa-se o desassossego e a inquietação.

É que a Liberdade, anda de boca em boca, para que haja cada vez mais liberdade para se “explorar” ou “oprimir”.

Liberdade para falsear a História…
Liberdade para branquear a ditadura…
Liberdade para promover a cultura do esquecimento contra a cultura da memória… renascer fantasmas!

Liberdade que quer substituir a ideia de mudança (de Revolução) pela ideia de Mercado.

Liberdade que dá força à competição feroz e ao “jogo do empurra” e enfraquece a solidariedade na rua, na escola, na família, no emprego, na política...

Os capitães de Abril e todos que, se sentem mal com este estado de coisas, querem a LIBERDADE…a verdadeira. Outra liberdade.
A Liberdade para ser usada na participação, numa participação mais séria…mais séria nas mudanças e nas alternativas: empenhados e responsáveis na construção do futuro... muito para além dos actos eleitorais.

Será por termos usado mal a Liberdade (que Abril nos deu) que o Portugal de hoje não corresponde ao que ambicionávamos há 35 anos?!

Sendo um país diferente :
muitos sonhos estão ainda por realizar,

muitas situações de injustiça e iniquidade convivem connosco ainda hoje e agora!

Voltámos a estar em “guerra”.E sabemos onde estão os inimigos.

Há 35 anos estávamos longe de pensar que no nosso Portugal de hoje, acantonado na União Europeia, viria a ter em 2008:
Absurdos indicadores de pessoas no limiar da pobreza(200.000), de desempregados(500.000),de tarefeiros(700.000) e de trabalhadores a prazo(800.000).

Que irá acontecer aos dois milhões e meio (pouco mais de metade da população activa que resta) com emprego tão ameaçado!??

Que se passa?

Desde operário a licenciado o português é bom profissional em todo o mundo!
Que nos fazem ou deixamos que nos façam cá dentro.

E os sucessivos Governos que têm feito? Onde está o projecto aglutinador dos portugueses para corresponder ao Portugal do 25 de Abril!?

Por isso repito: Voltamos a não nos sentir bem!

O 25 da Abril merece mais, merecia mais.

Outra Politica.
Outra cultura. Outra cultura de mentalidades. Um outro apetrechamento geral e social, mais qualificado e actual.

Digno do 25 de Abril de todos nós.
Digno de todos aqueles que têm contribuído para que a nossa Constituição Portuguesa de 1976 não se ficasse pelas boas intenções…e fosse sucessivamente emendada, quantas vezes contra o Estado-Social.

Digno de todos aqueles que têm lutado para que o projecto de Abril sirva às gentes e não só a uns privilegiados…

Digno de quantos nas suas organizações,nas suas fábricas, no campo, no mar, lá… onde podem, utilizam as novas armas que Abril lhe deu…

Em conclusão:

Há trinta e cinco anos quisemos um país novo .
O programa do MFA deu o mote: descolonizar, democratizar e desenvolver.

Descolonizar : Descolonizámos, o melhor que se foi possível à data.
Democratizar: Encetámos caminhos de Democracia sérios, mas inacabados.
Desenvolver: Grandes avanços, sobretudo pela mão do poder Local. No xadrez nacional duvida-se da razoabilidade da distribuição de fundos e da criação dos projectos mais adaptados ao país, às suas necessidades e a um desenvolvimento sustentado.
Reconheçamos que tivemos dificuldade em deixar tutelar o Desenvolvimento à ganância dum sistema ou ao sistema da ganância…e o sistema padece de gravosa infecção…incurável.
Assim o julgará a maioria dos Capitães de Abril …comparando com o que se ansiava e estou convencido, também a maioria dos portugueses.

Que fazer?
Quantos anos de sabedoria se aprendeu nas trincheiras das vida?!
Quanta força nos deram os que lutaram antes de nós e os que continuam persistentes lutando..

Não podemos desesperar.
Tivemos muitos avanços e grandes recuos.Mas…

Continuando muitos “25 de Abril” por fazer; não podemos…não queremos … virar a cara.

No resistir…no construir…
No 25 Abril do combate ao desânimo...
Do 25 de Abril de muitos combates é certo...porque o caminho se faz caminhando, lutando.

Há vitórias e derrotas nas constantes batalhas da Vida....mas a grande Vitória é continuar a lutar...a lutar pelo que acreditamos.
……

Queremos arredar de nós o desassossego íntimo.

Ainda não é desta que nos deixaremos abater apesar da tormenta
Todos nós somos parte da solução.


Competentes e empenhados nas nossas tarefas diárias cumpriremos Abril, estaremos a cumprir ABRIL.


A luta continua e com ela continuará sempre

Aquele sonho, a renovação e a esperança

que fizeram Abril
que deram força a Abril.

Tal como há 35 anos.
Tal como durante 35 anos.

Porque: O Povo é quem mais ordena…”
Grandola vila morena….”
O 25 de Abril está vivo.

25 de Abril sempre..

Manuel Duran Clemente
Coronel Reformado



Abril 2009

Marília Gonçalves disse...

Quando em 1974 o amanhecer de Abril trouxe no âmago a mais bela aurora de todos os tempos
o 25 de ABRIL, tinha decorrido um mês repleto de acontecimentos para quem atentamente observasse.
Em Março, havia pois pouco mais de um mês, os militares tinham tentado num golpe de estado mudar o país, tentativa frustrada.
Nos dias que seguiram, eu e meu marido tivemos que ir a Lisboa.
E fomos encontrar uma cidade inquieta, havia um sussurrar, até às lojas, o que nunca tínhamos presenciado anteriormente. Era um murmúrio
de descontentamento geral, numa mercearia perto do Forno do Tijolo em voz baixa mas descontente, mulheres comentavam o aumento do custo de vida e as dificuldades que isso acarretava . Mães preocupadas, que viam levar seus filhos para longe, para a guerra colonial, donde voltavam ou não e quando voltavam, voltavam mudados, doentes ou deficientes. m
Mães eternas, que trouxeram filhos nas entranhas olhos fitando o futuro onde o riso dos filhos brilhava juvenil e bom. Que trazer um filho no ventre e pô-lo no mundo é já um grito de confiança na humanidade, nos companheiros de caminho desse menino ainda no presente ao abrigo do seu seio, de seu desvelo e de sua vida. Um Futuro digno para essa vida novinha que crescia em si. O grandioso sonho de qualquer mãe, para seu filho é um Mundo que o mereça.
Mas esse sonho ruia então para as Mães de Portugal! as mães perdiam seus filhos pela defesa de interesses que nada tinham a ver com os interesses do Povo de Portugal. Perdiam seus filhos, sacrificados tão jovens, meninos quase, para defesa dos interesses duns quantos. Essa certeza do roubo que lhes faziam era luz definitivamente acesa no coração das Mães! da mãe de cada soldado de cada oficial.
E com os jovens militares enviados para uma guerra inútil e injusta assassinava-se com eles o futuro de Portugal.
E Portugal nessa década de sessenta esvaziava-se de suas gentes, aldeias inteiras partiram, os filhos fugindo à guerra, os pais ao infinito cansaço de viver sem esperança, de em troca de trabalho de manhã à noite verem e viverem em privações e condenados ao silêncio nem sequer o poder dizer.
Nada poderem dizer, nem sobre o sofrimento, nem sobre as suas causas.
O Povo de Portugal condenado, enclausurado dentro de si mesmo, sem poder nunca gritar a sua dor!
Em Março no dia do aniversário de meu marido,juntaram-se em casa amigos que pertenciam como nós ao mesmo grupo da vida Cultural de Faro nessa época.
Nesse dia tinha por conseguinte meu marido recebido um postal de parabéns vindo de meu pai exilado político em França e que pertencia às forças da Oposição ao regime de Salazar/Caetano, onde manifestava seu desejo de que fosse este o último aniversário separados. Estranhei a frase que me soou como um aviso velado. E andou o postal de mão em mão, cada um tentando ler nas poucas palavras e concretização de sua esperança. E acreditámos!
e continuou a noite ao som da guitarra que o Zé Maria tocava enquanto baixinho íamos cantando canções do Zeca!
Assim cada noite ali estávamos os dois cabeça quase encostada ao rádio a escutar a BBC, na esperança de que o Presente despertasse em Portugal.
Aguardávamos desde a tentativa de golpe de estado, quer viesse dos militares de novo, ou do povo em geral o sinal de partida para um Portugal novo, onde enfim nos sentíssemos viver.
Esperávamos, como durante cinco décadas esperaram os Resistentes ao fascismo. Muitos caíram pela longa e corajosa estrada da Luta pela Liberdade
e pelo direito à dignidade do Povo português sem chegar a ver o dia por que tanto haviam lutado e sofrido, como tantos outros que escapando embora à morte nas prisões fascistas, às mãos da PIDE, as mais cruéis e elaboradas formas de tortura.
Prender matar e torturar por uma ideia! Fascistas!
Mas quando nessa manha se levantava o dia 25 o meu marido saiu de casa e dirigiu-se ao seu trabalho.
Cerca de dez minutos depois em casa tocou o telefone. Não tive tempo para me surpreender ao ouvir a voz de meu marido, com a prontidão de tão matinal chamada. Do outro lado a voz de meu marido perguntou-me: - Sabes o que se passa?
(nessa época no emprego de meu marido, tinham havido grandes lutas sindicais ( era um dos mais fortes sindicatos nesses tempos) e em Lisboa tempo antes tinham mesmo voado máquinas de escrever pelas janelas lançadas por empregados sobre a polícia fascista de então. Como nas reivindicações constava o aumento de salário; perguntei prosaica e simplesmente: foste aumentado? do outro lado meu marido sorriu. Não! a voz soou mais clara, diferente: está a haver um Golpe de Estado!
Hein? o quê?
(tantos anos depois o meu coração só de o relembrar e escrever salta desenfreado). Tudo o que me passou pelos olhos, os pensamentos que se cruzaram no meu cérebro, são indescritíveis. Tão variados eram! Apenas consegui dizer vou já para aí!
Vesti meus três filhos e dez minutos depois estávamos na rua.
Olhava a cidade luminosa, como Faro o sabe ser,à minha volta uma manhã de sol, e eu com aquele sol por dentro que me dava asas. Passavam bandos de estudantes, que iam para o liceu, algumas raparigas com as tradicionais batas brancas, iam todos avenida acima a caminho do liceu.
Á Pontinha vinha o Sebastião, colega do mesmo mundo cultural, com uns restos de sono agarrados ainda às pálpebras. Lancei-lhe: Sabes o que se passa? Não, o que é? - Está a haver um Golpe de Estado! - É mesmo?
Confirmei, e vi-o ir na peugada dos alunos, trepando agora a Avenida alegre e bem disposto. Jovem professor, a caminho de um diferente dia de aulas. Completamente diferente!
Quando cheguei ao trabalho de meu marido com as três crianças, todas as empregadas tinham sido dispensadas e voltavam para suas casas. Desciam a escada em tropel com um largo sorriso no rosto.
Ali a única mulher era eu, com três crianças pequenas, uma das quais com um ano.
E foi o dia mais desperto, mais vívido, mais colorido de nossas vidas.
As informações vindas de Lisboa, chegavam das formas mais variadas,
íamos seguindo de longe as grandes passadas da LIBERDADE pelas mãos de jovens oficiais que passaram à Historia com o nome de Capitães de Abril!
Os Homens sem Sono!
Conseguimos era um bando de gente excitada, captar com um pequeno transístor, mensagens por vezes bastante roufenhas que em Faro ali ao pé, os militares trocavam entre si. Embora as suas conversas fossem para todos ali, impenetráveis, quer porque falassem em código quer porque o transístor não nos deixasse ouvir nitidamente o que diziam, para nós aquelas ordens eram duma clareza infinita. Luminosas palavras, que nos falavam de Liberdade!
Era o momento tão esperado por sucessivas gerações de Lutadores da Resistência em Portugal, e nós ali estávamos, com mais sorte, colhendo enfim esse torvelinho de Luz que tantos em tantos anos de persistente combate, tinham merecido ver. Ali estávamos para Honrar suas Gloriosas Memórias! Para nunca os esquecer, reconhecidos!
Depois deixei meus filhos com o pai e fui ver Faro, com olhar novo. olhar novo e voz solta, fosse qual fosse o preço era preciso pelo menos, falar!
Alguns protestavam, mas poucos, o que mais se via era alegria, e pessoas romperem a barreira do silêncio. O Povo descobria que tinha Voz!

e quando à noite acocorados esperávamos que na TV nos dissessem algo mais, assim ficámos, naquela postura longo tempo e ora nos olhávamos ansiosos por saber mais,ora prendíamos os olhos ao televisor como se um íman ali os retivesse agarrados.
Depois foi o Comunicado do MFA, nome que nos iria acompanhar nos mais veementes e intensos meses de nossas vidas.
E o seu Hino, tempo depois feito canção que andava de boca em boca!
Ali estava o Presente com as portas rasgadas de par em par para o Futuro
e como disse esse grande poeta reconhecido internacionalmente como um dos maiores poetas do Mundo, Ary dos Santos: As Portas que Abril Abriu!
Portas por onde passaram a Liberdade e os Direitos do Povo de Portugal, por onde passou o fim da Guerra Colonial e o reconhecimento do Direito de outros Povos a gerir enfim as Terras, os Países que enfim passavam a ser por lei e direito os seus,por elas entrou a Esperança, o fim do medo, o fim da desconfiança colectiva e por elas entrou a Consciência, a nova Consciência de Ser!
Hoje é essa Consciência que deve manter-se inalterável, para sabermos para sempre defender-nos do terror silenciado pela força, que foi a longa noite fascista!

Para que nunca mais ninguém tenha a tentação de nos mergulhar num tempo que saberemos não deixar voltar

para que nunca mais se cerrem para nós,para nossos filhos e todos os que estimamos, as Portas do Futuro! As Portas que Abril Abriu!





Marília Gonçalves