30.1.09

O HOMEM QUE NÃO SABIA
(Conto original, rotlefou.blogspot.com)


Numa manhã, um jovem dirigia-se à escola, quando num largo, ouve um homem sentado na calçada, dizer repetidas vezes:
"eu não sei, eu não sei,..."
O jovem prossegue a sua marcha, quando ouve:
"E tu, sabes?"
Pára, vira-se e:
"É comigo?" Pergunta o jovem.
"Sim, vês mais alguém?!" diz o homem.
-Eu não...
- Então porque não respondes logo?
- Qual era a pergunta?
- Perguntei-te se sabias.
- Se sabia?.... Se sabia o quê?
- Lá está! Isto é que é a juventude de hoje! Andam por aí todos pimpões com a tecnologia no bolso, trocam a chupeta pelo cigarro, Camões, para vocês é um primo afastado do Magalhães e os mais velhos são todos uns burros ultrapassados, mal vestidos, que não conhecem nada da industria musical que os pirralhos das modernices, mastigam com hamburgers cozinhados no capitalismo globalizado à força, pelos imperialistas do dinheiro.
- Isso é uma pergunta?
- Ainda por cima arrogantes!
- Quem eu?
- Não, o Descartes!
- Quem?
- Sabes jovem, vou dizer-te uma coisa, coisa esta, que nunca deverás esquecer
- Diga então, senhor,... senhor...
- Podes chamar-me Homem Sentado
- Homem sentado... É o seu nome?...
- Não, não vês que estou sentado?
- S... sim.
- Dizia eu que... o que estava eu a dizer?
- O senhor Sentado falava de... de cartas?
- Não,... ah, já sei, sabes, a grandeza do homem, não se define pela sua postura na sociedade... para melhor perceberes, imagina o teu pai... O que faz o teu pai?
- O meu pai? É engenheiro electrotécnico.
- Boa, aqui está um bom exemplo. O teu pai, todos os dias depois de acordar, toma um duche e barbeia-se.... e barbeia-se!
- Hã... ah, sim, sim
- Sabes por que raio faz ele isso todos os dias?
- Para não ter barba?...sei lá!
- É como tu dizes, para não ter barba ou por questões de higiene mas antes de tudo, fá-lo porque a concorrência é vasta e um pelo a mais no rosto, é critério sólido para o despedimento, se nos interesses daqueles que o rodeiam, alguém decidir tratar-lhe da saúde, seja por que razão for... Quer isto dizer que, o teu pai pode ter uma posição digna e estável mas a qualquer momento, pode passar a inscrito... Percebeste?
- Inscrito?
- No desemprego.
- O que tem isto tudo a ver com grandeza?
- Também tu,... se jogasses menos Playstation e lesses um pouco mais!... Estou aqui sentado, farto de falar do teu progenitor...
- Pro... quê?
- Se fosse teu professor,....
- Seria avaliado?
- Bem! Vamos lá ver se não nos desviamos do assunto principal...
- Qual assunto principal?
- Olha-me para este jovem de crânio desidratado...
- Eu?
- Não o...
- Sim, já sei! o das cartas.
- Descartes... Descartes! Já alguma vez estudaste filosofia ou matemática?
- Já!
- Quantas vezes, quando?
- Sempre que não encontro um homem sentado no meio dum largo, a atrasar-me no meu percurso para a escola... já vou ouvi-las!!
- Espera!... Tu estavas a caminho da escola?
- Pois.
- Em que ano estudas tu, jovem?
- No oitavo.
- O que queres ser quando fores grande?
- Olha olha, já pareces mas é a minha tia!
- Vamos lá manter o nível de comunicação! E o respeito?...
- Olhe gostaria muito de continuar no interrogatório mas tenho uma aula que começa... há um quarto de hora atrás.
- "Jovem", diz o homem sentado ao rapaz que já se afastava.
- Diga lá rápido!
- Gostas de aprender?
- Sim homem sentado. E o senhor, gosta?
- Eu?... Não sei, não sei. Respondeu o homem vendo o jovem a desaparecer ao longe no largo.

O homem ficou ali sentado, calado, sem pessoas para abordar.

O homem sabe e fala,
Pergunta e afirma,
Os jovens vão sabendo e falando,
Questionam-se e vão aprendendo.

Na imagem que revela o homem,
O espírito jovem, por vezes cala-se.
O jovem quer falar como um homem...
Aprende, quem tem consciência da sua condição.

Terá o homem sentado, conhecimento disso?
E... terá o jovem, aprendido alguma coisa?

Pierrot le fou

28.1.09

CONTOS PROIBIDOS de Rui Mateus
(um livro inconveniente, arriscado ou demasiado parcial na abordagem?)


...A propósito de um dos recentes Presidentes da República Portuguesa, deixo aqui um link para o livro "Contos Proibidos", que descobri por aí...
Clique então, aqui

Pierrot le fou

7.1.09

Divagação...
(interpretação ridicula mas sincera...)



(para ler num domingo chuvoso, de preferência, em estado de ressaca.
Experimente misturar Whisky com Vodka, cerveja e Martini com um pouco de Tequila e vinho verde e beba em doses exageradas)

...Não se esqueça, se for conduzir o país, não beba com moderação...
Álcool? decretos-Lei, aqui

Sou um português desesperado (eu não, ele...),
Sofro por falta de dignidade,
Choro por causa de problemas de dinheiro,
Pensar na minha reforma, leva-me a não dormir,
A palavra "jornalismo" faz-me sentir mal,
Nem posso ouvir o adjectivo!
Por vezes, sou obrigado a fazer coisas boas,
Já recebo três reformas mensais, que vergonhosamente
nem tão pouco equivalem a vinte e cinco salários mínimos!
Toda esta desigualdade causa-me dor,
Esforçei-me para aqui chegar,
Por isso, exijo que me respeitem,
Faço a aprovo as leis em meu favor,
Quase que choro a rir mas tenho de fazê-lo escondido,
Sinto-me bem,
Afinal sou deputado ou ministro!
Quatro anos de teatro deram-me direito a uma boa reforma (até mesmo às reformas dos outros).
Os cidadãos têm contribuido para a minha riqueza,
Têm mesmo assim, que se esforçar mais ao fazê-lo!
Eles que chorem,
Os outros (os cidadãos) que façam como eu!
Sejam todos deputados ou ministros,
Ou então, continuem a trabalhar,
A gerar riqueza para os que já são ricos!
(Acaba aqui a divagação, as reformas dos meninos da Assembleia continuam a sair!)

Pierrot le fou

Comentários e queixinhas

5.1.09

PALESTINA, O QUE TE FIZERAM?
Um ângulo, um olhar...


Na madrugada de segunda-feira 5 de Janeiro 2009, enquanto a SIC NOTÍCIAS abria o noticiário com os resultados dos jogos da liga portuguesa (mais uma tradição que se integra perfeitamente na nossa comodidade e sede constante de distracção e lazer, que caracterizam o bom português preocupado com o lado humano da bola que gira e do árbitro que penaliza os guerreiros da cultura de sofá!), o conflito em Gaza era atentamente seguido pelo canal  Al Jazeera e outras estações pelo mundo...
Guerra religiosa, segundo holocausto ou reversão na afirmação  da identidade cultural de dois povos condenados a viver mal, não por culpa das pessoas de bom senso que figuram nos "dois lados", onde  imoralidade e violência exercida os fazem sentir-se impotentes na sua intelectualidade e amor pelos vizinhos irmãos.
Para nós da "Nova Europa", é-nos fácil constatar irreverência e distância, nas relações entre Estados da Comunidade, que nunca provaram até hoje, querer definir uma posição consensual de peso, na consideração exigida para enfrentar um assunto que afinal parece não ser de interesse prioritário, já que por parte da "arrasada" Palestina, não se esperam grandes negócios de proveito para a mentalidade monetária que representa o grande objectivo europeu.
Conhecendo através do bom jornalismo, que nos tem levado a conhecer a "verdadeira-realidade" da famosa Terra Santa, as pressões diplomáticas, consequentes bloqueios, destruição de bens necessários para sobrevivência, entre decisões e atitudes que ignoram até uma criança a nascer, podemos sentir o peso da matéria manipulada que se infiltra nos média, como se de censura se tratasse.
A verdade é só uma, na Palestina, todos sabemos bem que os intelectuais  sempre foram alvo de perseguições severas por parte de Israel (Mahmoud Darwich, clique aqui), que os levaram a exilarem-se, em paises como Egipto ou até mesmo em vários países na Europa, parecendo querer pôr de parte, qualquer diálogo civilizado, que poderia melhorar uma situação já
por muitos muitos considerada banal!
A importância dos homens de letras e de boa fé é assim posta de parte, dando lugar aos grandes contratos com os Estados Unidos, fonte de toda a espécie de armas para a manutenção da instabilidade no lado muçulmano, que ao ver-se encurralado e sem voz, na sua própria terra, acabou por adoptar uma postura de revolta contra uma posição imposta, que até os maiores sábios não conseguem compreender.
Se não fosse do interesse dos grandes poderes ocultos, a preservação de conflito no Médio-Oriente, Israel o poder, Israel a terra que também tem crianças, que também tem poetas, intelectuais de bom senso, poderia associar-se aos seus congéneres do "lado-oposto", e criar estruturas para de forma digna, avançar para o novo dia,...o Grande Dia que daria nova luz e amizade entre dois povos, que afinal já merecem muito mais que a situação que estão a viver desde há mais de quarenta anos (já para não falar do início do século XX...).
 
Enfim, uma visão por mim aqui transcrita que refere acontecimentos mas, antes de tudo, revela vontade única, de ver o problema dos povos de Israel e da Palestina resolvido, assim como o fim de actos de maldade que persistem em tantos outros países no Mundo!

Deixo mais abaixo, um link para lerem (em francês) o poema "Petite écolière palestinienne", que Mostafa HOUMIR, um homem marroquino partilha no site : Poetas Del Mundo.
Leia aqui

Pierrot le fou