19.11.08

POR FALAR EM CIMEIRAS...
G20, G19, G18, G17,...



Cimeiras ou festas, estes meetings reservados a talentos na modalidade "Fui eu que fiz porcaria mas continuo cheio de dinheiro e isso faz-me rir...que se lixem os outros", são breves instantes que reunem os imbecis que deformam toda a função ou organização civilizacional em vias de continuar a contribuir para preservação destas estranhas espécies viciadas em dinheiro e poder.
Na farsa dos governos que mais devemos interpretar como grupos de frustrados com especial fixação na injustiça e imcompetência que tanto gostam de praticar e exibir nos exemplos que nos apresentam através das políticas de consenso global (capitalismo, recessão oportuna, crises com hora e jantar marcados... Os americanos até andam a ler Marx, ao que parece, “O Capital” está a sair como pãezinhos quentes...), estes Homo Sapiens acabam por ter direito a estas fotografias simbólicas e robustas, no sentido de demarcar a sua glória e “altura” assim como aquela estátua do Sadam que vimos ser destruida, passadas algumas horas da invasão americana no Iraque.
Força para estes rapazes tão vaidosos!
Vamos ao dinheiro!
Quem falou em Adão...e Eva?!....
Deus fez o Capitalismo e a moeda criou o homem à sua imagem...

Por falar nisso, se evocam o capitalismo em nome de todos,.. Aonde é que está a minha moeda?!!

Pierrot le fou

7.11.08

FICCÇÃO HUMANA
ESTROMBELO E O UNIVERSO

A história que se segue, conta-nos a estranha aventura de Estrombelo.
Começa assim, Estrombelo acorda num barco em cima do telhado duma casa, sítio onde se encontrava já há alguns dias.
Naquela manhã ventosa de céu cinzento, Estrombelo, após tanto tempo no poleiro, era um homem desesperado, farto de estar num sítio de onde não conseguia sair.
Depois de dias, horas, a repetir a mesma frase infinitas vezes, olha em sua volta e pergunta mais uma vez:
"Está aí alguém, estou sozinho?" O silêncio era tal, que:
"Já percebi, não vejo ninguém, as ruas estão desertas... Não há aqui pessoas para além de mim...sou um homem isolado de tudo!"

"O que terá acontecido? Que situação estranha, esta de me encontrar num barco em cima duma casa!" Ainda ensonado, olha aqui e ali e... repara num panfleto que o vento trouxe para junto da popa do barco, agarra-o e lê: "Desconto de trinta porcento sobre todos os artigos".
Fica a pensar e em voz alta diz: "Mas para que me serve um desconto de trinta porcento, se não há nada para comprar?
"Quem tem a coragem de me enviar um papel com tal inscrição sabendo que estou aqui completamente sozinho?!" Pergunta Estrombelo zangado.
"Se for uma brincadeira, aviso-os desde já, que sou um homem sério e que nunca ninguém me conseguiu fazer rir!"
"Eu não digo...estou mesmo a ficar louco... Sei perfeitamente que estou aqui sozinho e ainda me ponho a fazer figuras...se passa por aí alguém, o que irá dizer de mim?" Estrombelo atravessava um momento de breve divagação.
Confuso, pergunta-se:
"Agora é que estou a ver bem" diz, "Então não é que dormi num barco que está em cima do telhado desta casa! A situação absurda, não lhe parecia ser apior de todas, já que considerava mesmo assim que, pior era se tivesse dormido numa avioneta no cimo dum arranha-céus...
"Será que bebi vinho estragado, ou já morri e estou no inferno?"
A estranha situação em que se encontrava, fá-lo disparatar:

"Nada como sozinho,
num barco acordar,
no cimo duma casa
onde o raio do barco veio parar" Cantarolou.

Construindo assim pequenas quadras com a inspiração "que lhe veio à mão", canta:

"Ao viver aqui tão só,
acabei por ouvir uma voz,
do vizinho não pode ser,
será dos meus avós..."

Até que:

"Não pode ser", diz Estrombelo em tom de desespero, "Eu não mereço isto, detesto a solidão, detesto barcos em cima de casas!"
"Como é que isto aconteceu, como pude eu acabar isolado de tudo o que pode ser bom, aonde estão os outros,...é uma partida?"
A consciência de Estrombelo estava no melhor do seu funcionamento, inibindo o raciocínio.
"Já sei, estou a pagar pelos erros que cometi quando era vivo!"
"E quem me diz que estou morto? Estou a sentir o vento a passar por mim, até já senti arrepios, com esta confusão toda, até me está a doer a cabeça".
Será que depois do nosso tempo de vida, vamos para um sítio onde ainda somos recompensados com dores de cabeça? Isto não é justo, trabalhei mais de quarenta anos que nem um escravo, para, afinal receber uma tremenda dor de cabeça como prémio, pela servidão?!"
"Mantenho que isto não é justo, ainda por cima, não tenho ninguém para culpabilizar... Espertos! Malandros! Venham cá acima ao barco, que já lhes digo!"
A triste figura de Estrombelo num barco em cima dum telhado é flagrante.
"Esta casa é tão alta, como vou eu fazer para sair daqui? Não há escadas, o vento está cada vez mais forte e o barco está a abanar. Preciso de encontrar uma solução rápida, antes que isto caia lá em baixo!"
Numa tentativa frustrada, grita:
"Socorro, ajudem-me, estou cá em cima... Aqui...aqui em cima no barco que está em cima da casa!"
O tempo foi passando e, farto de gritar, cala-se, pensa e:
"Será que a maré vai subir e tirar o barco daqui? Se assim for, é uma questão de paciência,....Mas eu não sou nada paciente!"
Já desolado, Estrombelo ao virar o olhar, vê o que parece ser um monte de papéis debaixo do banco do barco em equilibrio, debruça-se com cuidado para não cair, estica o braço e consegue agarrar um Jornal.
"Um jornal!" diz em tom alegre, "Até que enfim que aparece qualquer coisa interessante, é a minha salvação, vou finalmente ficar a saber porque ficou isto tudo tão deserto e sem uma única pessoa com quem conversar".
Ansioso por descobrir alguma informação que o ajudasse a melhor entender o porquê de tal situação, olha para a primeira página e na data lê: "Segunda-feira 1 de Agosto de 10 000"...
"Dez mil?... Dez mil?! Qual dez mil, mas que jornal é este, com o ano dez mil... Eu nasci em 1935 e estou vivo no ano dez mil? Deve ter sido erro de impressão... ou estarei a ver mal?"
O coitado sente o cérebro a dar uma cambalhota.
"Deixa-me lá ver,... Ah, uma notícia interessante; "Povo concede direito de actuação ao Primeiro-Ministro, para criar fundo para castigo a ex-governantes e colaboradores directa ou indirectamente culpados de usurpação da democracia".
"E esta: procura-se cidadão com ou sem estudos, com determinação para exercer funções de Secretário Mundial para a igualdade humana no Planeta Terra...coisa estranha!".
Ainda outra: "Crónicas do passado, esta semana, dossier sobre o dinheiro os seres primitivos que praticavam a desigualdade através do materialismo e capitalismo selvagem, até ao Século XXIX".
"Epá", diz Estrombelo esta notícia é alarmante, lê então: "Segundo cientistas do Observatório Mundial para desenvolvimento, protecção e manutenção da espécie humana, no mês de Setembro do ano 10 000, a Terra sofrerá o impacto dum cometa, levando a destruição quase total do Planeta, sendo a possibilidade de sobrevivência da espécie humana, de um para dez mil milhões...."
Estrombelo parou novamente para pensar e por fim diz:
"E eu aqui num barco em cima duma casa..."
Mas alguma coisa muda e de um instante para o outro, Estrombelo mais positivo diz:
"Será possível? Eu não acredito em nada dessas coisas mas só me posso render às evidências.
Terei eu viajado no tempo para descobrir que no ano 10 000, um cometa vai embater na terra, como foi isto acontecer?
Ou Terei sido eleito pelo destino, para ser Secretário Mundial com determinação, no sentido de criar igualdade humana só para mim, já que sou provavelmente a única pessoa por cá?
Certo mesmo é que, continuo aqui num barco em cima duma casa e não vejo gota de água, quanto mais marés que me tirem daqui..."
Nas perguntas e afirmações, por Estrombelo projectadas, elementos, como o tempo, conhecimento e conceito de sociedade eram parte de algo complexo que claramente confundia este desprotegido ser na sua limitada interpetação, da vida.

Destinado a esperar pela resolução do seu enigma, todos os fenómenos, por muito anti-naturais que possam parecer, talvez um dia levarão Estrombelo a encontrar a solução exacta da grande escrita que determina toda a função da nossa existência, considerando-a como parte finita da vasta, interminável e magnifica construção organizada, que representa o Universo.

Estrombelo ficou ali a pensar e a pensar, e a pensar... até que:

(Acaba assim)

Estrombelo canta:

"viajei de trinta e cinco
Até ao ano dez mil
Estou no cimo da casa
entre nós há um barco..."

(Não rima mas foi assim que cantou!)


Pierrot le fou